Presidente da Comissão de Defesa diz que "é preciso resolver o problema" do Atlântida
O presidente da Comissão de Defesa Nacional, Matos Correia, defendeu hoje a necessidade de se encontrar uma solução para o navio Atlântida, que continua a aguardar por um comprador, depois de ter sido recusado pelo Governo Regional dos Açores.
"O passado é o passado, está encerrado. Houve ruturas juridicamente enquadradas, houve decisões dos tribunais arbitrais, não vou fazer considerações sobre isso", disse Matos Correia, depois de uma visita ao navio construído nos Estaleiros de Viana do Castelo e que está acostado no arsenal do Alfeite, em Almada.
O Atlântida tinha sido encomendado aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo pelo Governo Regional dos Açores, que decidiu resolver o contrato por incumprimento contratual, justificando que, entre outras situações de alegado incumprimento, o navio não atingia a velocidade prevista de 17 nós.
"Visitar o Atlântida é ter a prova provada de que estamos perante uma obra importante da engenharia portuguesa. É um navio bem construído, que reúne todas as condições para poder fazer aquilo para que foi concebido", acrescentou.
Para o presidente da Comissão de Defesa Nacional, "não se percebe que um navio deste grau de sofisticação tecnológica e com capacidade para o transporte de pessoas e bens, neste caso de automóveis ou autocarros, não esteja a ser utilizado neste sítio ou noutro qualquer".
"Mais do que tentar perceber como se chegou até aqui, temos de saber o que podemos fazer para ajudar a que isto não se transforme num elefante branco", disse.
Na visita guiada ao Atlântida, que tem capacidade para transportar 750 pessoas e 118 automóveis e miniautocarros, o presidente da EMPORDEF, Vicente Ferreira, disse ter esperança em conseguir um bom negócio, mas não descartou a possibilidade de o navio ir mesmo para os Açores.
"Mantemos a esperança de que este navio, que é uma excelente obra da indústria naval portuguesa e dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, vá cumprir a missão para os Açores", disse.
"Consideramos que sendo um navio desenhado para esse mercado, não será por menos um décimo ou menos de um décimo da sua velocidade, que o serviço que ele podia prestar aos Açores e ao país está em causa", acrescentou.
De acordo com os dados disponibilizados pelo presidente do Conselho de Administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Jorge Camões, a construção do navio custou 48 milhões de euros, mas, com os encargos de manutenção e seguros adicionais ao longo dos últimos dois anos, esse montante já aumentou para "57 milhões de euros".
Apesar das dificuldades da atual conjuntura, até têm aparecido alguns interessados na compra do Atlântida, mas nenhum deles avançou, até agora, para a concretização do negócio.
"Tem havido várias estrangeiros que mostraram interesse no navio, mas o problema maior é conseguirem o financiamento", disse Jorge Camões, também ele convicto de que é necessário encontrar uma rápida solução para o problema, de forma a garantir a sustentabilidade dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
Para além dos encargos que têm de suportar com o Atlântida, os Estaleiros de Viana do Castelo também já construíram, em módulos, grande parte do Anticiclone, um navio mais pequeno que também tinha sido encomendado para as ligações inter-ilhas na Região Autónoma dos Açores
TAGS:Alfeite Almada, Atlântida, EMPORDEF Vicente,
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