Rio denuncia “intuito de prejudicar” Santos Pereira no seio do Governo
"Discordo em absoluto que a política seja feita desta maneira”, afirmou o autarca social-democrata em declarações recolhidas pela Antena 1A persistência do impasse na eleição dos novos órgãos sociais da Metro do Porto mostra, para Rui Rio, que “há interferência de outros membros do Governo com um claro intuito de prejudicar o ministro da Economia”. A denúncia do presidente da Câmara e da Junta Metropolitana do Porto, que se escusa a referir nomes, é feita no seguimento da suspensão da assembleia-geral que deveria ter confirmado a nomeação de João Velez de Carvalho para a presidência do Conselho de Administração da empresa. Vozes socialistas apontam “total incompetência” à tutela e falam de “luta pelo poder”.
Está suspensa por mais 15 dias a eleição dos novos órgãos sociais da Metro do Porto. Esperava-se que o processo, já adiado por duas ocasiões desde o mês de março, ficasse concluído na tarde de sexta-feira em assembleia-geral. Mas a ausência de representação do Estado levou ao cancelamento da reunião magna. Isto depois de a Junta Metropolitana do Porto ter aprovado o nome do ex-administrador da STCP João Velez de Carvalho - indicado pelo Governo - para a presidência do Conselho de Administração da empresa. Cargo que vai continuar a ser assegurado nas próximas semanas por Ricardo Fonseca.
O mandato do atual Conselho de Administração da Metro do Porto expirou em dezembro de 2010.
A administração pediu a demissão em bloco na assembleia-geral
de final de maio, por não terem sido definidos os novos órgãos sociais.
Embora considere que o ministro da Economia tenha “as suas responsabilidades”, o presidente da Junta Metropolitana do Porto não hesita em atribuir o impasse ao que diz ser uma “interferência de outros membros do Governo” com um “claro intuito” de “prejudicar politicamente” Álvaro Santos Pereira.
“Dentro do próprio Governo. É isto que eu sinto obrigação de dizer, porque isto é muito mau para o Metro, é muito mau para o país. Porque isto não é admissível, o que aconteceu. O ministro da Economia é quem está na linha de fogo. Terá as suas responsabilidades nisto, como é verdade e é evidente. Mas eu tenho noção de que dentro do Governo estão propositadamente a interferir e a colocá-lo nesta situação. Acho que é de elementar justiça eu dizer isto e discordo em absoluto que a política seja feita desta maneira”, insistiu o autarca social-democrata, em declarações recolhidas pela Antena 1.
Rio recusou-se, contudo, a referir nomes: “Acho que já disse o suficiente para repor alguma justiça nisto, porque não pode ser só uma pessoa a acarretar com esta enorme responsabilidade de um dossier tão mal tratado, quando eu, com a experiência que tenho, me apercebo claramente de que, dentro do próprio Governo, as coisas não estão a funcionar bem neste capítulo, pelo menos”.
“Luta pelo poder dentro do PSD”
Confirmado o novo adiamento, o presidente da mesa da assembleia-geral, Valentim Loureiro, adiantou ter confiado ao Conselho Fiscal da Metro do Porto a gestão administrativa. Posteriormente, a presidente do Conselho Fiscal, Fernanda Martins, pediu à Administração cessante a permanência em funções por mais 15 dias. Ricardo Fonseca e o administrador executivo Jorge Delgado aceitaram. Outros dois elementos tomaram a decisão contrária.
Ainda segundo Valentim Loureiro, citado pela agência Lusa, o secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, acabaria por se comprometer com a resolução do impasse “impreterivelmente” nas próximas duas semanas.
Ouvido pela Lusa, o deputado socialista Renato Sampaio, antigo líder da federação do PS do Porto, avaliou os acontecimentos de sexta-feira como uma demonstração de “total incompetência e impreparação do ministro e do secretário de Estado que tutelam os transportes para gerir um importante sector como este”. Por outro lado, continuou o parlamentar, “a falta de acordo entre a Junta Metropolitana e o Governo não é mais do que a luta pelo poder dentro do PSD”.
“Isto demonstra bem o desrespeito total e absoluto que o Governo tem pelo Porto e pelo Norte. Tem revelado uma incapacidade para nomear as administrações da STCP [Sociedade de Transportes Coletivos do Porto], do Metro, da APDL [Administração dos Portos do Douro e Leixões]”, enfatizou Renato Sampaio, para assinalar que a própria STCP “está absolutamente paralisada e sem administração”, uma vez que “nenhum elemento do Conselho de Administração” liderado por Fernanda Menezes aceitou ficar em funções “durante mais 15 dias para que cheguem a acordo dentro do PSD”.
Também o socialista Guilherme Pinto, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, reprovou a falta de representação do Governo na assembleia-geral da Metro do Porto: “É uma falta de tudo. Falta de educação, falta de chá. Acho que andam a brincar connosco. Nunca se viu uma coisa destas”.
TAGS: João Velez de Carvalho, Conselho de Administração, Governo, Junta Metropolitana do Porto, Metro do Porto, Ministro da Economia, Ricardo Fonseca, Rui Rio, Álvaro Santos Pereira,
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