Défice orçamental francês é factor de risco
O presidente francês, François Hollande, na semana passadaA França corre o risco de ficar sob o fogo dos mercados, se não conseguir reduzir claramente o seu défice orçamental. A conclusão, clara e categórica, está num extenso relatório do Tribunal de Contas francês. As promessas eleitorais de François Hollande já começam a empalidecer.
O relatório, longo de 230 páginas, lembra que a meta de 3 por cento do PIB que vigora para o conjunto dos défices da União Europeia está longe de ser cumprida pela França: no ano passado, o Hexágono viveu com um orçamento deficitário em 5,3 por cento.
Má aluna, portanto, da cartilha rigorista pregada aos países do Sul, a França utlrapassa as exigências eurocomunitárias e, pior ainda, ultrapassa mesmo a média dos défices europeus. Corre assim, segundo o relatório, o "risco" de ver minada a sua credibilidade e de ser tomada de ponta nos mercados.
A esta fotografia da situação actual junta-se uma imagem prospectiva que não ajuda: os já magros 0,7 por cento de crescimento esperados para 2012 foram revistos em baixa para 0,4 por cento - no limiar da recessão. E os 1,75 por cento esperados para 2013 reduziram-se até agora a uns meros 1,0 por cento.
A experiência grega e a portuguesa podem ensinar-lhe uma coisa: sem crescimento económico não há receitas fiscais que aumentem. Calcula-se, então, em 33 mil milhões de euros os cortes que seria preciso fazer no orçamento francês para atingir a famosa meta dos 3 por cento. Hollande deverá violar largamente o limite do défice ou violar largamente as suas promessas eleitorais.
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