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Dívida da banca portuguesa ao BCE ultrapassa os 60 mil milhões de euros

Dívida da banca portuguesa ao BCE ultrapassa os 60 mil milhões de euros
legenda da imagemOs bancos portugueses recorrem sobretudo a operações de financiamento com prazo alargado
Boris Roessler, EPA

Está fixada mais uma marca histórica nos empréstimos contraídos pela banca portuguesa junto do Banco Central Europeu. Números divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal revelam que, no final de junho, as entidades bancárias que operam no país deviam mais de 60 mil milhões de euros à autoridade monetária europeia, ou seja, mais 1,8 mil milhões face ao montante do mês anterior. A par desta crescente dependência, agravada pelo contexto da crise das dívidas soberanas na Zona Euro e pela intervenção da troika, crescem as restrições nos empréstimos a famílias e empresas e o crédito de cobrança duvidosa.

O montante dos empréstimos contraídos pela banca portuguesa junto do Banco Central Europeu era de 60 502 milhões de euros no final do mês de junho. Os dados agora difundidos pelo Banco de Portugal apontam para um acréscimo de três por cento face ao montante em dívida no final de maio. Da comparação com o valor que se registava em igual período do ano passado resulta uma subida de 37,87 por cento.

A crise das dívidas soberanas no espaço da moeda única e a implementação do pacote de resgate suportado pelo Fundo Monetário Internacional e pela União Europeia vedaram o acesso da banca portuguesa aos mercados. O recurso ao Banco Central Europeu quadruplicou desde 2010. No termo de 2008, após a eclosão da crise financeira nos Estados Unidos, os bancos portugueses deviam 10,2 mil milhões de euros ao BCE. Este número era já então histórico.

Os bancos portugueses recorrem sobretudo a operações de financiamento com prazo alargado. Neste caso, os empréstimos atingiram, no final de junho, os 53,3 mil milhões de euros.
Empresas destacam-se no crédito malparado
Outros números em ascensão dizem respeito ao crédito malparado, que, entre abril e maio, teve um aumento de 319 milhões de euros para os 14 255 milhões. Ou seja, 5,7 por cento dos empréstimos atribuídos pela banca portuguesa a famílias e empresas são de cobrança duvidosa – o valor mais pronunciado desde que há registo no Banco de Portugal. É às empresas, todavia, que cabe a maior quota. Entre os particulares o crédito malparado regrediu pela primeira vez desde o final do ano passado.

Em maio, o incumprimento das empresas atingia um montante de 9 417 milhões de euros, o que correspondia a 8,5 por cento dos empréstimos concedidos.

Entre as famílias, o peso do crédito de cobrança duvidosa no conjunto dos empréstimos recuou de 3,60 por cento em abril para 3,52 por cento em maio. O crédito malparado de particulares cifra-se em 4 838 milhões de euros – num total de 137 521 milhões em empréstimos concedidos pela banca.

No crédito à habitação, o peso do incumprimento recuou de 1,97 por cento em abril para 1,88 por cento em maio, o que já não acontecia desde dezembro de 2011. No crédito ao consumo houve um recuo para os 10,95 por cento, depois de ter sido atingida a barreira dos 11 por cento em abril.
Aperto no crédito
Os números do Banco de Portugal confirmam, por outro lado, que a banca do país continua a cortar no financiamento à economia. Uma tendência que se reflete, em primeiro lugar, nas famílias. Em maio os bancos emprestaram a estes dois segmentos 4,05 mil milhões de euros, menos 6,25 por cento (270 milhões de euros) face a abril e menos 16,71 por cento (813 milhões de euros) do que no período homólogo de 2011.

Relativamente aos particulares, os novos empréstimos apresentam, em termos homólogos, um recuo de 47,53 por cento para os 552 milhões de euros. O decréscimo é transversal aos créditos à habitação, consumo e outras finalidades, entre as quais educação e energia.

Nos créditos para aquisição de casa, o mês de maio fica marcado por uma quebra homóloga de 70,15 por cento – menos 376 milhões de euros, para 160 milhões. Já na comparação com abril desde ano verifica-se um acréscimo de 2,56 por cento. Quanto ao crédito para consumo, regista-se uma queda nos novos financiamentos de 33 por cento em termos homólogos. Mas há igualmente uma subida, face a abril, de 19,5 por cento, ou de 29 milhões de euros.

As empresas obtiveram, por seu turno, 3,5 mil milhões de euros em novos empréstimos, o que representa uma quebra de 8,21 por cento face a maio de 2011. Face a abril de 2012, regista-se uma regressão de 6,9 por cento.

TAGS:BCE, Banca, Banco Central Europeu, Banco de Portugal, Bancos, Crédito, Empresas, Empréstimos, Famílias, Financiamento, Malparado,

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