Nova demissão no Governo da Grécia
Executivo grego reúne-se para negociar as novas declarações políticas no Parlamento de Atenas, discussão que terminou com o voto de confiança no novo GovernoO Governo de coligação grego sofreu esta segunda-feira nova baixa com a demissão do secretário de Estado do Trabalho, Nikos Nikolopoulos, devido a divergências sobre as negociações com a troika. Nikolopoulos foi a terceira baixa nas primeiras três semanas do novo Governo. Saiu acusando o Executivo de não ser suficientemente rígido na aplicação das exigências dos seus credores internacionais para cortar os custos do trabalho e aumentar a flexibilidade para os empregadores. Segundo publica o Financial Times, que cita fonte do partido Nova Democracia, o conservador Nikos Panagiotopoulos assumirá o cargo.
"É minha convicção que a questão da renegociação com a troika e a correção das distorções em matéria de direito ao trabalho, reformas e Segurança Social deveriam ter sido colocadas com insistência desde o início", criticou Nikos Nikolopoulos na carta de demissão que enviou ao primeiro-ministro renunciando ao cargo de secretário de Estado do Trabalho do Governo de coligação grego.
É a terceira baixa do novo Executivo grego, anunciado em finais do mês passado após as legislativas antecipadas de 17 de junho, cujo primeiro ministro das Finanças apresentou a demissão, justificada por motivos de saúde e cujo secretário de Estado da Marinha Mercante foi forçado a sair devido a uma participação não autorizada numa sociedade offshore.
A demissão foi tornada pública, depois de a carta ser enviada aos órgãos de comunicação gregos. O membro do partido conservador Nova Democracia (ND), do primeiro-ministro Antonis Samaras, decidiu demitir-se minutos após o voto de confiança no Parlamento de Atenas do novo Governo de coligação entre a ND, o Partido Socialista (Pasok) e a Esquerda Democrática (Dimar).
O Executivo de Samaras ganhou o voto de confiança com os votos dos 179 deputados dos três partidos coligados, num Parlamento de 300 assentos, incluindo o voto de Nikolopoulos. O primeiro-ministro comprometeu-se a recuperar a confiança dos mercados e a fazer avançar as privatizações.
Nikos Nikolopoulos disse que renunciava ao cargo político por não concordar com a posição do Governo nas reuniões de negociação da semana passada com a delegação dos credores internacionais - União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - no âmbito da primeira missão de avaliação da troika desde a formação do novo Executivo.
Na sua opinião, o Governo deveria ter adotado uma postura dura sobre as revisões da legislação laboral aprovada pelo seu antecessor. "Prefiro deixar o Governo agora do que criar problemas por causa das minhas convicções pessoais", acrescentou o deputado conservador na missiva.
"Não há explicação razoável para isto", disse o porta-voz do Governo, Simos Kedikoglou, à Reuters. "A negociação com a troika ainda não começou e ainda ontem ele votou a favor do Governo. Nem todos somos talhados para tempos difíceis."
A demissão do secretário de Estado do Trabalho representa mais um revés para o primeiro-ministro de centro-direita, Antonis Samaras, que estará à frente das negociações no final deste mês com a troika sobre reformas fiscais e estruturais que permitam resgatar a Grécia, depois de um período de três meses de atraso causado por duas eleições gerais.
Segundo publica o Financial Times, que cita fonte do partido Nova Democracia, o conservador Nikos Panagiotopoulos assumirá o cargo.
Ministro das Finanças adia renegociação
Nikolopoulos esteve envolvido nas reuniões da semana passada durante a primeira missão da troika com o objetivo de avaliar os esforços que a Grécia tem de efetuar para voltar a garantir o cumprimento do plano de reestruturação económica imposto pelos credores em troca de dois novos empréstimos.
Apesar de os encontros entre os ministros do gabinete de Samaras e os representantes da UE e do FMI terem sido etiquetados como missão de reconhecimento, as partes implicadas no acordo já avisaram o povo grego de que as condições para resgatar o país incluem duras medidas de austeridade e um amplo plano de privatizações. "Eles transformaram o mandato de 17 de junho, de renegociação e retirada do plano de resgate em planos para a sua estrita implementação", disse o líder do partido grego de esquerda radical, Syriza, Alexis Tsipras, à Reuters segunda-feira. "Eles usaram o dracma como chantagem e vão pagar. Traíram o mandato popular e vão desculpar-se."
Antes do voto de confiança, no Parlamento de Atenas, Tsipras discursou, concluindo que "o resgate é um crime político e económico imposto ao país pela troika".
A coligação de três partidos comprometeu-se a modificar partes do acordo para o pacote de resgate de 174 mil milhões de euros, incluindo rever as controversas alterações à legislação laboral aprovadas este ano, posição defendida durante a campanha eleitoral de Antonis Samaras.
Apesar disso, e na sequência dos primeiros contactos com a troika, o ministro das Finanças, Yannis Stournaras, considerou que o país devia retomar a implementação do plano internacional inicial, a fim de recuperar o tempo perdido com as duas eleições gerais da Grécia, antes de partir para a renegociação.
"Não se pode renegociar [o resgate] se não se tiverem primeiro tomado medidas para trazer o ajuste fiscal de volta aos carris", disse o ministro das Finanças ao Parlamento antes da votação de confiança este domingo.
O secretário de Estado do Trabalho, Nikos Nikolopoulos, diz, na sua carta de demissão, que o Governo não está a ser suficientemente agressivo na promoção da alteração do impopular acordo para o resgate da Grécia. Analistas citados pela Reuters garantem que a demissão está longe de ser um golpe fatal para o jovem Governo, mas sugere ruturas internas no que toca à posição da coligação tripartida sobre a renegociação do resgate.
"[A demissão] é uma indicação de que o Governo terá de enfrentar problemas internos entre os grupos que pressionam por uma postura hard e soft em relação à troika e aos termos do resgate", disse Theodore Couloumbis, analista político em Atenas, à Reuters.
O Executivo tenta reverter o corte de 22 por cento do salário mínimo e conseguir o retorno de negociações obrigatórias a nível de empresa e de sector aquando um despedimento coletivo. Os acordos foram abolidos para reduzir custos e aumentar a flexibilidade laboral, como parte das medidas aplicadas pela troika que tencionam melhorar a competitividade.
Prevê-se queda de 7 por cento
Os desafios colocados à recente coligação que governa a Grécia foram enfatizados pelas previsões da Fundação para a Investigação Económica e Industrial (IOBE), um centro de reflexão de Atenas gerido até ao final da semana passada pelo novo ministro das Finanças, Yannis Stournaras.
A IOBE publicou esta segunda-feira um relatório em que aumenta a previsão da queda do PIB grego em 2012 de cinco por cento para 6,9 por cento. As previsões sobre o desemprego aumentam a taxa de 20 por cento para 23,6 por cento, acompanhadas por fortes quebras no consumo.
As previsões da IOBE são mais pessimistas que as da Comissão Europeia, do
FMI, do Banco da Grécia e da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico (OCDE), que preveem, respetivamente, que a
economia de 215 mil milhões de euros irá contrair-se 4,7, 4,8, cinco e 5,3
por cento este ano.
Em 2011, o quinto ano de recessão naquele país, a economia encolheu 6,9 por cento. Uma repetição desta redução significaria que a economia da Grécia encolheu um quinto desde o final de 2007. Os dados apresentados associam a quebra económica a uma recessão “dramática” no sector da construção.
"Se nossa previsão de recessão se confirmar, teremos perdido cerca de 20 por cento do nosso PIB nos últimos cinco anos ", disse o economista Angelos Tsakanikas, da IOBE.
“Determinámos, com base num inquérito, que penas 0,04 por cento da população planeia comprar casa este ano – o que serão cerca de 3 500 pessoas, valor muito baixo", disse Tsakanikas durante a apresentação do relatório trimestral.
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