OCDE prevê que o desemprego em Portugal atinja 16,2% em 2013
A taxa de desemprego em Portugal deverá atingir os 15,4 por cento este ano e ultrapassar os 16 por cento em 2013, de acordo com as estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgadas esta terça-feira. As previsões ficam uma décima abaixo das previsões do Governo para 2012, mas são mais pessimistas quanto ao próximo ano.
No início de julho, o ministro das Finanças anunciou a revisão em alta das previsões do Governo para a taxa de desemprego em Portugal. Os números revelados por Vítor Gaspar apontavam para uma deterioração do emprego, atingindo os 15,5 por cento este ano, ao contrário dos 14,5 por cento previstos no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) enviado para Bruxelas. Para 2013, o Executivo estimava novo recorde, de 16 por cento, bem acima dos 14,1 inicialmente esperados.
As projeções avançadas pela OCDE no Outlook de 2012, divulgado esta segunda-feira, anunciam números diferentes. Para a organização internacional, a taxa de desemprego em Portugal ficará este ano nos 15,4 por cento, uma décima abaixo do esperado pelo Governo e duas décimas acima dos últimos resultados, referentes ao mês de maio (15,2 por cento).
Contudo, a OCDE prevê para 2013 um agravamento do desemprego pior do que o esperado pelo Executivo de Passos Coelho: 16,2 por cento, dois pontos percentuais acima da estimativa governativa.
No relatório da OCDE, apenas em Espanha e Grécia é esperado um nível de desemprego maior do que em Portugal. A organização prevê uma deterioração para ambos os países nos próximos anos. A taxa de desemprego em Espanha deverá atingir 24,5 por cento este ano e 25,3 por cento no próximo, enquanto na Grécia deve subir de 21,2 por cento em 2012 para 21,6 por cento em 2013.
Desemprego alto até final de 2013
“A fraca recuperação económica atual vai manter as taxas de desemprego nos países da OCDE altas até pelo menos ao final de 2013”, segundo o relatório da OCDE. A organização estima que o desemprego continue a aumentar na Europa, tanto nos 27 como na Zona Euro, e diminua nos Estados Unidos e no Japão.
Para o conjunto dos países europeus que integram a OCDE, a estimativa aponta para que a taxa de desemprego atinja os 10 por cento em 2012 e suba para os 10,2 por cento em 2013. Já nos 17 da moeda única, o relatório prevê que o desemprego chegue aos 10,8 por cento este ano e ultrapasse os 11 por cento em 2013 (11,1 por cento).
Numa análise com o total dos países da OCDE, a taxa de desemprego, no seu conjunto, deverá fixar-se nos 8 por cento este ano e cair uma décima em 2013 (7,9 por cento). Estados Unidos e Japão são duas das economias que deverão ajudar a inverter a tendência. Nos EUA, a OCDE prevê que o desemprego caia de 8,1 por cento em 2012 para 7,6 por cento em 2013, enquanto no Japão desce uma décima, de 4,5 por cento este ano para 4,4 por cento no próximo.
Contudo, “os números não são animadores”. “Há 47 milhões de desempregados entre os países da OCDE. E a situação é ainda mais desencorajadora na Zona Euro. A frágil recuperação económica não criou suficientes oportunidades de emprego. E recentemente tivemos sinais claros de que a economia global vai deteriorar-se. Estes números não vão melhorar", lê-se no relatório.
"O problema está a crescer mais depressa do que a solução. O aumento do desemprego continua a ultrapassar o aumento da despesa com políticas ativas para o emprego", afirmou hoje Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, na apresentação do documento.
Entre as "preocupações chave", destacou, estão o desemprego jovem (16,1 por cento para a OCDE e 22,6 por cento para a Zona Euro) e o desemprego de longa duração (um em cada três desempregados na OCDE está nessa situação há mais de um ano).
O secretário-geral defendeu, por isso, que "é imperativo que os países possam implementar medidas fiscais e monetárias adicionais para estimular a procura e a criação de emprego o façam". No caso daqueles, como os membros da Zona Euro, que têm margens orçamentais e monetárias mais estreitas, "é preciso saber escolher as medidas mais eficazes e encontrar espaço para aplicá-las".
- .Corrigir
- .Leia-me
- .Imprimir
- .Enviar
- .Partilhar
- .Aumentar
- .Diminuir