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Moody’s reserva perspetiva negativa ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira

Moody’s reserva perspetiva negativa ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira
legenda da imagem“As perspetivas do rating do FEEF podem voltar para estáveis se as perspetivas dos ratings de países com grandes contribuições para o FEEF e que têm Aaa forem alteradas para estáveis”
Mike Segar, Reuters

À degradação das perspetivas para os ratings de Alemanha, Holanda e Luxemburgo, segue-se a mesma avaliação de sentido descendente para o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). A Moody’s reduziu nas últimas horas de “estável” para “negativa” a perspetiva reservada ao mecanismo temporário de resgate da Zona Euro, que conserva, para já, o rating de “Aaa”. No entanto, a agência de notação financeira estima que é “cada vez mais provável” um corte nos próximos 12 a 18 meses.

A reavaliação a que a Moody’s submete agora o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira é uma consequência da redução de perspetivas para a Alemanha, Holanda e Luxemburgo. Tal como estes três países, o FEEF passa a estar sob perspetiva “negativa”. Porque Alemanha, Holanda e Luxemburgo, lê-se no relatório da agência de rating, são contrafortes financeiros do Fundo.
Instituído em maio de 2010, na sequência dos passos iniciais para o resgate da Grécia, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira emitiu as primeiras obrigações em janeiro do ano seguinte. O resultado desta operação serviria para suportar o pacote de assistência da República da Irlanda.

O FEEF, que contribuiu também para o programa português, emitiu no passado dia 17 de julho, pela primeira vez, títulos de dívida a seis meses com uma taxa negativa.

Antes de desaparecer, coabitará a arquitetura financeira da União com o Mecanismo Europeu de Estabilidade.


“Os riscos que iriam afetar negativamente a capacidade do FEEF para conceder crédito, o que conduziria a uma queda do rating do Fundo, incluem a degradação da capacidade creditícia dos Estados-membros que participam na área do euro”, estima a Moody’s.

A notação máxima de “Aaa” atribuída ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira mantém-se. E a agência norte-americana até sublinha que o FEEF continua a beneficiar de uma “garantia plena” das economias mais robustas do espaço da moeda única. Mas a degradação dos outlooks alemão, holandês e luxemburguês, contrapõe a Moody’s, implica “um aumento da probabilidade de o rating do FEEF poder ser cortado nos próximos 12 a 18 meses”.

No mesmo texto a agência enfatiza a ligação entre as duas avaliações: “As perspetivas do rating do FEEF podem voltar para estáveis se as perspetivas dos ratings de países com grandes contribuições para o FEEF e que têm Aaa forem alteradas para estáveis”.
“O fardo”
Na madrugada de terça-feira, a Moody’s justificava a revisão das perspetivas para a Alemanha, Holanda e Luxemburgo com o cenário de uma Zona Euro sem a Grécia a breve trecho. Segundo os analistas da agência de notação financeira, o “risco de uma saída da Grécia da Zona Euro aumentou face às expectativas que tínhamos no início do ano”.

“No entender da Moody’s, uma saída da Grécia da união monetária colocaria uma ameaça concreta ao euro. Apesar de a Moody’s contar com uma forte resposta política por parte da Zona Euro, caso isso aconteça, de qualquer das formas a situação desencadeará uma série de choques no sector financeiro e pressões de liquidez sobre os países e os bancos que as autoridades só conseguirão conter em troca de um elevado custo”, acrescentava a agência no seu relatório.

Por outro lado, a Moody’s vislumbra “uma probabilidade cada vez mais forte de que seja pedida ajuda para outros Estados da Zona Euro”, designadamente “Espanha e Itália”, cuja “escala dos passivos contingentes é de uma maior magnitude”. E “o fardo”, na léxico da agência, deverá recair nos países ditos solventes.

“A título de exemplo, a dimensão da economia espanhola e do seu mercado da dívida soberana corresponde a cerca do dobro da dimensão conjunta dos da Grécia, Portugal e Irlanda", frisava ontem a Moody’s, que já baixara em fevereiro as perspetivas para as notações soberanas de França e Áustria.

TAGS:Agência, Alemanha, FEEF, Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, Holanda, Luxemburgo, Moody's, Notação financeira, Outlook, Perspetiva, Rating,

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