BCE vai comprar dívida espanhola

BCE vai comprar dívida espanhola
JJ Guillen, EPA

O diário alemão “Suddeutsche Zeitung” avança este sábado com a decisão do Banco Central Europeu de comprar dívida soberana espanhola a instituições financeiras e outros investidores, numa manobra que contraria a política defendida pelo Bundesbank, o banco central alemão. Para o BCE esta é, no entanto, um caminho que permitirá aumentar a procura e aliviar taxas de juro dos títulos espanhóis a 10 anos, que vêm superando a barreira psicológica dos sete por cento a 10 anos.

O Suddeutsche Zeitung, que cita fontes de Bruxelas, acrescenta que o BCE atuará em nome do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), apoiado pelos países membros da zona euro.

Esta decisão estará relacionada com a tomada de posição conjunta assumida ao início da tarde de ontem pelos líderes francês e alemã. A chanceler Angela Merkel e o Presidente francês François Hollande deixavam claro após uma conversa telefónica que estão determinadas “a fazer tudo para proteger a Zona Euro”.

O comunicado comum da chancelaria alemã e do Eliseu sublinhava que, para defender a integridade da região, “tanto os Estados membros do Euro como as instituições europeias devem assumir as suas responsabilidades nos seus respetivos domínios”.
Bundesbank contra recompra de dívida soberana
As grandes resistências a esta operação deverão partir do banco central alemão, que nos últimos dias reiterava a oposição ao programa de recompra de obrigações do Tesouro pelo BCE no mercado secundário.

"A nossa opinião não mudou no que toca ao programa de compra de dívida (SPM)", afirmava à agência France Press um porta-voz da instituição germânica, que via este tipo de iniciativa como "problemática" para o BCE.
Madrid garante que resgate total não é opção
Ainda ontem a vice-presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaria, negava o cenário de um pedido de resgate para o país: "Não vai haver resgate nem o resgate é uma opção. A opção do resgate está descartada".

A Moncloa procurava desta forma anular as suspeitas cada vez mais fortes de que a salvação da economia espanhola tem como caminho único a ajuda financeira externa ao país, numa ideia que assenta na descrença nesse resgate parcial concedido à banca (um pacote que rondará os 100 mil milhões de euros).

Durante esta sexta-feira vários foram os media que avançaram com a informação de Luis de Guindos, ministro da Economia, teria já reconhecido perante o homólogo alemão, Wolfgang Schauble, que Espanha precisaria de um resgate na ordem dos 300 mil milhões de euros se os custos da dívida espanhola se mantiverem em níveis insustentáveis. A tese de que esse pacote teria já sido negociado também foi veiculada.

TAGS: Alemanha, BCE, Bundesbank, Espanha, FEEF, Resgate, Suddeutsche Zeitung, Dívida,

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