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Governo rescinde contrato para construção de fábricas da RPP Solar em Abrantes

Governo rescinde contrato para construção de fábricas da RPP Solar em Abrantes
legenda da imagemOs planos da empresa RPP Solar foram classificados pelo anterior Governo socialista como Projeto de Interesse Nacional (PIN)
BishopBandita, Wikimedia Commons

Os ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros decidiram avançar para a rescisão de um contrato entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a RPP Solar com vista à construção de três fábricas de painéis fotovoltaicos em Abrantes. O projeto de investimento, num montante de 1052 milhões de euros, pressupunha a criação de 1900 postos de trabalho naquela região. A rescisão, sublinha o Governo, obriga a empresa “à restituição de incentivos financeiros que tenham sido recebidos”, além de juros compensatórios.

A rescisão do contrato entre a AICEP e a RPP Solar é selada num despacho de 20 de julho ontem publicado em Diário da República e com as assinaturas dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira.

“No âmbito do contrato de investimento assinado em 15 de junho de 2010, foram concedidos à RPP Solar – Energias Solares, S.A., ao abrigo do regime especial do Sistema de Incentivos à Inovação, incentivos financeiros para um projeto de investimento, no montante de 1052 milhões de euros, relativo à construção e equipamento de três unidades industriais para fabrico de painéis fotovoltaicos, painéis térmicos e silício de grau solar e à criação de um centro de investigação e desenvolvimento, situados em Abrantes”, lê-se no despacho do Governo.

Os ministérios assinalam, em seguida, que a RPP Solar “se encontra, até esta data, em incumprimento da obrigação de executar o projeto de investimento nos termos e prazos contratualmente fixados e não demonstra manter as condições de financiamento necessárias à concretização do mesmo”. Uma situação que, na leitura do Governo, abre caminho à rescisão do contrato.

O Executivo apoia-se no conteúdo de uma resolução aprovada em março pelo Conselho de Ministros, que “determina a rescisão dos contratos de financiamento” assinados ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e “respeitantes a operações aprovadas há mais de seis meses que não tenham evidenciado, à data da entrada em vigor da referida resolução, o início da sua execução física e financeira”.
“Turbilhão da crise”
O despacho dos ministros estabelece, por último, que “a rescisão do contrato de investimento implica a revogação da decisão de financiamento do projeto em causa e, caso aplicável, obriga à restituição dos incentivos financeiros que tenham sido recebidos pela RPP Solar – Energias Solares, S.A., acrescidos de juros compensatórios”.

Uma fonte da AICEP Portugal Global, citada pelo jornal Público, adiantou, no entanto, que a empresa não chegou a receber quaisquer verbas do Estado, uma vez que “não se chegou à fase de execução do que estava previsto”.

Os planos iniciais da RPP Solar foram classificados como Projeto de Interesse Nacional (PIN) pelo Governo de José Sócrates. A empresa previa construir em Abrantes um total de cinco fábricas e criar 1900 postos de trabalho, num investimento que se estimava ser superior a 900 milhões de euros – 127,9 milhões resultariam de ajudas do Estado.

Em meados de 2011, segundo recorda a agência Lusa, o empresário Alexandre Alves alegava ter sido “apanhado no turbilhão da crise que causou graves dificuldades de financiamento nacional e internacional”. Os atrasos no lançamento do projeto eram então justificados com “a necessidade de procurar investimentos no estrangeiro”. Isto porque em Portugal, prosseguia o responsável, deixara de “haver dinheiro disponível para investimento”.

A 23 de janeiro deste ano, a Câmara Municipal de Abrantes indicava que ainda mantinha a confiança na concretização do projeto da RPP Solar. A autarquia chegou a notificar a empresa da cedência de prorrogação do prazo para a conclusão da primeira fase do projeto. Esse prazo terminou a 18 de janeiro. Alexandre Alves apresentaria então um “requerimento de ponderação” do licenciamento.

TAGS:AICEP, Abrantes, Contrato, Despacho, Diário da República, Fábricas, Governo, PIN, Painéis fotovoltaicos, QREN, RPP Solar,