Oposição sobe de tom contra o discurso de Vítor Gaspar

Oposição sobe de tom contra o discurso de Vítor Gaspar
legenda da imagemO ministro das Finanças, durante a conferência de imprensa de hoje
José Sena Goulão, Lusa

António José Seguro reagiu ao discurso do ministro das Finanças anunciando um pedido de audiência urgente ao presidente da República. O líder comunista Jerónimo de Sousa considerou de tipo cosmético as punções que o ministro esboçara sobre rendimentos do capital e a deputada bloquista Catarina Martins acusou o Governo de apagar a "luz no fundo do túnel" e o PS reclamou uma urgente reunião com o presidente da República. A UGT mostra-se disposta a recusar um novo acordo de concertação social.

O secretário-geral do PCP, segundo citação da Agência Lusa, afirmou que o Governo "faz umas cócegas, aplica uns trocos de tributação ao capital, comparado com aquilo que estão e querem roubar aos trabalhadores, seja da administração pública seja do setor privado".
Rapar nos salários e fazer cócegas ao capital E explicou o recurso a essa expressão porque, segundo disse, "em relação ao défice há uma pequena flexibilidade de prazos, em relação ao capital, às grandes fortunas, há uma ausência de taxação fundamentalmente dos lucros do capital, aos grandes grupos económicos".

Jerónimo de Sousa alertou também os trabalhadores a redução dos escalões do IRS como possível forma de o Governo "rapar mais nos salários, seja dos trabalhadores da administração pública, seja nos trabalhadores do setor privado". E vaticinou que "não vão ficar por aqui em relação ao que Passos Coelho anunciou e esta questão da alteração dos escalões do IRS vai ser mais um golpe profundo nos salários dos trabalhadores portugueses".
Apagar a "luz no fundo do túnel" Por seu lado, Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, afirmou que se trata do segundo pacote de medidas brutais contra o mundo do trabalho no espaço de uma semana e sublinhou que não há qualquer equidade entre capital e trabalho.

A deputada bloquista afirmou também que o Governo "decidiu apagar a luz ao fundo do túnel" E acrescentou: "O que hoje Vítor Gaspar nos diz é que a luz ao fundo do túnel está definitivamente apagada com estas medidas. O BE considera que este Governo não tem condições para governar e que as suas políticas devem ser derrotadas".
Pouca esperança em Cavaco SilvaHeloísa Apolónia, dos Verdes, em alusão ao pedido de audiência do secretário-geral do PS, pôs em dúvida que Cavaco Silva viesse exercer algum controlo sobre a política do Governo, afirmando: "Não temos visto grande ajuda, nem se vislumbra grande ajuda, às vezes umas declarações genéricas, mas em termos de medidas concretas é sempre a apoiar aquilo que este Governo tem anunciado".

Sobre o Governo, considerou que, se "tivesse o mínimo de dignidade se demitia em bloco", porque só soube reafirmar com o discurso de Gaspar "o falhanço rotundo das suas políticas". E lembrou que "os sacrifícios medonhos e profundamente injustos que o Governo pediu e continua a pedir aos portugueses eram para cumprir um défice e uma dívida que o ministro veio hoje dizer que não conseguiu e não consegue cumprir".

A deputada dos Verdes sublinhou também o contraste entre as medidas gravosas contra a população, "coisas concretas sobre as famílias portugueses anunciadas tão pormenorizadamente", e, por outro lado, as punções fiscais sobre o capitalenquanto outras, "designadamente sobre o grande capital, "anunciadas de forma totalmente genérica e nada quantificáveis".
PS apela a Cavaco e pondera moção de censuraEm conferência de imprensa realizada após o discurso de Vítor Gaspar o dirigente socialista Eurico Dias lamentou um paradoxo considerado essencial: "Infelizmente temos mais tempo para tapar um falhanço colossal do Governo, mas não vamos ter mais tempo para aliviar os portugueses". Segundo Dias, “o PS sempre defendeu mais tempo para aliviar os sacrifícios dos portugueses e para tornar o processo de ajustamento possível. Mas, com este Governo, vamos ter mais tempo para ter o défice orçamental em 2014 em 2,5 por cento. Ora, não se percebe por que motivo não temos mais tempo para ter o défice em três por cento em 2014, tal como a Espanha e a Irlanda".
.
Esboçando a eventualidade de um voto do PS contra o Orçamento do Estado para 2013, Eurico Dias afirmou que as suas linhas fundamentais "revelam mais austeridade, mais cortes nos pensionistas (o que parecia impossível) e mais na saúde, na educação e nas prestações sociais, acrescendo ainda a medida antissocial que transfere rendimentos dos trabalhadores para o capital".

"O ministro de Estado e das Finanças diz que a estratégia é apropriada, mas temos mais dívida, mais défice, muito mais desemprego e muito menos economia. O cenário macroeconómico apresentado para 2013 sofre uma degradação muito considerável. Em 2013, segundo as previsões do próprio Governo, terão uma economia a decrescer um por cento e a pergunta que fazemos é saber se 2013 é mesmo o ano de recuperação como foi anunciado pelo primeiro-ministro aquando da festa do Pontal”.

Mas, se parece cada vez mais provável o voto do PS contra o OE 2012, já a hipótese de apresentação de uma moção de censura ao Governo, tal como foi defendida internamente por Pedro Silva Pereira, continua envolta em incerteza. Para já, António José Seguro quer mesmo falar com Cavaco e não adiantará em público, sobre a moção de censura, nada que não tenha ainda dito ao presidente.
UGT pondera greves e outras acçõesO Secretariado Nacional da UGT reagira já ao discurso de Passos Coelho na semana passada com a decisão de não assinar um novo acordo de concertação social e de pedir audiências ao primeiro-ministro e ao presidente da República para protestar contra as medidas anunciadas nesse discurso.

Para aquela central sindical, está em cima da mesa "uma brutal diminuição dos salários e das pensões em 2013", através de medidas inconstitucionais "por violarem os principios da igualdade e da proporcionalidade".

Contra esse corte, a central diz-se disposta a "manifestar a sua oposição a estas medidas através de ações de protesto e greve da UGT e dos seus sindicatos, que tenham em conta o calendário de aprovação do Orçamento do Estado para 2013".

  • .Corrigir
  • .Leia-me
  • .Imprimir
  • .Enviar
  • .Partilhar
  • .Aumentar
  • .Diminuir
Relacionados

Últimas Notícias de Política