Portas descarta "crise política irresponsável"

Portas descarta crise política irresponsável
legenda da imagemEm constantes viagens pelo estrangeiro, Paulo Portas tem-se remetido ao silêncio
Manuel de Almeida, Lusa

CDS-PP reúne Comissão Politica e Conselho Nacional para debater as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, tendo Paulo Portas afirmado que não vai provocar nenhuma crise política irresponsável nem vai deixar o partido sem identidade.

“Não atiro o país para uma crise política irresponsável nem deixo o CDS sem identidade”. Foi com estas palavras que Paulo Portas quebrou o longo silêncio a que se tem remetido nos últimos tempos nomeadamente sobre a sua posição e a do seu partido sobre as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo governo pela boca primeiro do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, e depois pela do ministro das Finanças,Vitor Gaspar.

Em especial está em causa a redução da Taxa Social Única (TSU) das empresas dos 23,5% para os 18% e respetivo aumento da contribuição para a Segurança Social dos 11% para os mesmos 18%, medida que é atacada, não só por toda a oposição parlamentar, como também por todos os parceiros sociais que acusam a medida de provocar grande instabilidade social e não resolver o problema do desemprego.

Paulo Portas não escapa aos que criticam a medida. Há algumas semanas enviou a Pedro Passos Coelho um documento a explicar-lhe as razões pelas quais está contra as alterações na TSU. No circulo mais restrito da direção do seu partido explicou que discordou das alterações introduzidas nas contribuições para a Segurança Social.

“Discordei há um ano, continuo a não concordar e alertei para os perigos” terá dito Portas citado por dirigentes que terão estado na reunião da Comissão Executivo do CDS. Aos comissários, Portas ter justificado o não “veto” da medida” para não por em causa as negociações com a troika, que a acontecer trariam graves consequências para Portugal ou para a “estabilidade governativa”

“Passos acredita nesta medida e Gaspar considerou-a essencial neste momento, para dar um sinal de determinação e garantir a flexibilidade da troika sobre a derrapagem do défice. Vetar era pôr tudo em causa”, terá explicado Portas de acordo com a edição de hoje do “Expresso”.

No documento enviado a Passos, Portas apresentava argumentos políticos para rejeitar a medida: teria um impacte negativo na opinião pública, punha em causa a paz social, dava um argumento ao PS para a rutura e poderia afastar de vez a UGT.

Portas avisava ainda o líder do Executivo que a medida poderia suscitar um segundo veto do Tribunal Constitucional [o primeiro recaiu sobre o corte dos subsídios de férias e de Natal à Função Pública para 2013].

Portas tenta agora unificar o seu partido e serenar os seus dirigentes, alguns dos quais se pronunciaram publicamente contra as medidas. A “rentrée” prevista para o Porto foi cancelada e deu lugar às reuniões da Comissão Política e do Conselho Nacional para "reflexão" do partido, que o líder e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse querer ouvir antes de se pronunciar, justificando com "patriotismo" o silêncio que a oposição chamou de "fúnebre".

"A razão pela qual eu tenho sido prudente em declarações públicas chama-se patriotismo. Portugal foi avaliado pelos seus credores e como sabem não temos ainda condições para vivermos com independência desses credores", disse Portas, terça-feira, à saída de uma comissão parlamentar.

O primeiro-ministro garantiu na quinta-feira em entrevista na RTP que Paulo Portas deu o seu acordo às novas medidas de austeridade e esteve envolvido na preparação de uma das mais polémicas, como a redução da Taxa Social Única (TSU) para as empresas, compensada pela subida das contribuições dos trabalhadores.

"O dr. Paulo Portas é presidente do CDS-PP mas é ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Nenhum Governo fecha uma negociação externa e internacional que não seja do conhecimento e não possa ter o acordo do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Nesse dia, algo de errado se passaria com o Governo", afirmou Pedro Passos Coelho.

"Estou inteiramente tranquilo quanto à posição do ministro dos Negócios Estrangeiros nesta matéria", sublinhou o chefe de Governo.

A curiosidade será a de saber como é que Paulo Portas conseguirá manter a identidade do seu partido sem abrir uma crise política. Lá mais para o final do dia as dúvidas serão esclarecidas.

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