D. Eurico Nogueira diz que Cónego "morreu como viveu

O Arcebispo Emérito de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, considerou hoje que o Cónego Doutor Eduardo Melo "morreu como sempre vivera: a trabalhar e sob o manto protector de Nossa Senhora".

"Foi longa e muito variada a sua caminhada terrena: oitenta anos gastos no serviço de Deus e do seu povo, - constituído em Igreja - nas mais diversas actividades e coordenadas, mas sempre norteado pelo sacerdócio abraçado na pujança da juventude", afirma.

Monsenhor Eduardo Melo Peixoto, de 80 anos, foi encontrado, ao começo da manhã de hoje, sem vida no quarto onde pernoitava numa instituição católica em Fátima.

Segundo fonte da Arquidiocese, o seu corpo será transladado, durante a noite, do Hospital de Tomar para a Sé Catedral de Braga, onde será velado, domingo, em câmara ardente.

O funeral será segunda-feira às 16:00 partindo da Sé de Brga, onde haverá missa de corpo presente, para o cemitério de Monte de Arcos, onde o corpo será sepultado em jazigo de família.

Para D. Eurico, que escolheu o Cónego Melo braço-direito como Vigário-geral enquanto foi Arcebispo Primaz de Braga, o sacerdote, "apesar da idade, mantinha o mesmo entusiasmo e dedicação nas ingentes tarefas que continuava a impulsionar, despertando o seu exemplo admiração e estímulo em quantos o conheciam ou com ele privavam".

"Devo-lhe lealdade sem reservas e colaboração incansável, nos quase 22 anos em que fui servidor cimeiro da Arquidiocese de Braga, sobretudo quando esteve à frente de duas Instituições fundamentais desta: o Cabido da catedral, como impulsionador do culto nesta e órgão assessor do Prelado, e a Vigararia-geral, instrumento executivo deste, sendo o seu titular uma espécie de Primeiro-ministro", acentua.

Assinala que "no desempenho das suas funções, contraiu com o Cónego Melo "uma dívida que jamais conseguiria saldar".

"Eu procurava pagar-lhe modestamente com o meu muito apreço e dedicação; nas horas boas e sobretudo nas menos boas, que também as teve", salienta.

Nestas, o prelado, hoje retirado, destaca "o iníquo processo-crime que acintosamente lhe foi movido, por indivíduos - de muito duvidosa boa fé - ressabiados pela coragem heróica com que enfrentou os agitadores do verão quente de 1975".

"Perante a pressão daqueles - prolongada por mais de uma dezena de anos - contrariando sucessivas decisões dos Tribunais que sempre o iam ilibando de qualquer culpa, entendi dever vir a público tomar a sua defesa, que era incontestavelmente a da verdade e da justiça", recorda.

D. Eurico evoca a posição que então tomou: "se aquele processo passasse à fase de julgamento, estava disposto a solicitar ao Papa a suspensão das minhas funções pastorais, para assumir a sua defesa na barra do Tribunal".

"Para isso, voltaria a pedir a minha inscrição na Ordem dos Advogados, retomando uma situação que já assumira após a conclusão do curso de Direito e o respectivo estágio", recorda, frisando que "tal não foi preciso, porque o Tribunal soube resistir às habilidades mafiosas dos opositores".

A concluir, D. Eurico diz que "do já saudoso Cónego Melo Peixoto, ficará sempre um inabalável sentimento de admiração, amizade e gratidão".

LM.


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