Três mortos em ataque da Renamo no centro de Moçambique

Três mortos em ataque da Renamo no centro de Moçambique
legenda da imagemSuposto ataque da Renamo terá provocado três mortos
Lusa

Ataque, atribuído a ex-guerrilheiros da Renamo, a um autocarro de passageiros e dois camiões de carga resultou em três mortos e um número indeterminado de feridos. A ação decorreu no centro de Moçambique e no mesmo dia em que Jerónimo Malagueta, chefe do Departamento de Informação da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) foi preso pela Polícia de Investigação Criminal moçambicana.

Os ataques aconteceram na região de Machanga, na província de Sofala, com os ex-guerrilheiros a atacarem um autocarro de passageiros e dois camiões de carga havendo registo de três mortos civis confirmados, os dois condutores dos carros atacados e uma criança de apenas alguns meses.

O ataque a alvos civis aconteceu na estrada nacional 1, no sentido norte-sul, onde o trânsito se encontra encerrado e onde as viaturas atacadas foram incendiadas.

Este ataque aconteceu no mesmo dia em que a polícia prendeu um dos nomes fortes da Renamo, Jerónimo Malagueta, que ameaçou esta semana paralisar as principais rotas de transporte de Moçambique para a África do Sul.

Jerónimo Malagueta encontra-se detido nas instalações da Polícia de Investigação Criminal, mas a própria Renamo diz desconhecer o local onde o seu dirigente se encontra.

Recorde-se que esta semana, em conferência de imprensa, em Maputo, o chefe do Departamento de Informação da Renamo tinha rejeitado as acusações do Governo de que guerrilheiros do partido teriam sido os autores do ataque, na última segunda-feira, a um paiol na província de Sofala, no centro de Moçambique, que resultou na morte de seis militares e ferimentos de outros dois.

Jerónimo Malagueta, que tem a patente de brigadeiro, anunciou ainda que a Renamo iria recorrer aos seus homens armados para impedir a circulação rodoviária e ferroviária no centro do país, contra uma alegada concentração do exército nas antigas bases militares do movimento, onde o seu presidente, Afonso Dhlakama, se reinstalou em finais do ano passado.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, afirmou que Jerónimo Malagueta foi levado da sua residência em Maputo.

"Não restam dúvidas de que a sua detenção está relacionada com as declarações que fez na quarta-feira", afirmou o porta-voz da Renamo.

Jerónimo Malagueta foi comandante na guerrilha da Renamo contra o governo da Frelimo e, depois dos acordos de paz, de 1992, integrou o exército unificado.
Frelimo convoca manifestaçãoEntretanto, a Frelimo, partido no poder em Moçambique, convocou para esta sábado uma manifestação em Maputo "de repúdio pelos ataques da Renamo".

A manifestação, que percorrerá algumas das principais artérias da capital moçambicana, foi convocada por mensagem telefónica pelo dirigente da Frelimo que habitualmente divulga junto dos jornalistas as iniciativas do partido.

Também o líder da Igreja Anglicana de Moçambique, Dinis Sengulane, veio hoje a público pedir "misericórdia e espírito de diálogo" ao Presidente moçambicano, Armando Guebuza, e ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para o fim da tensão política que o país vive.

Em declarações à Agência Lusa em Maputo, o líder da Igreja Anglicana exortou os principais dirigentes políticos do país a mostrarem "misericórdia e espírito de diálogo".

"Apelo aos políticos para amolecerem os seus corações e darem aos seus seguidores o exemplo de tolerância. Que sejam misericordiosos e sensíveis à vontade de preservação da paz do povo", frisou Dinis Sengulane.

Para o religioso, o diálogo é a única opção para a resolução dos diferendos políticos no país, para que o país possa continuar na senda da reconstrução e desenvolvimento, que se seguiu ao Acordo Geral de Paz de 1992, que pôs termo a 16 anos de guerra civil.

"É necessário que o diálogo que os principais agentes políticos vêm mantendo seja construtivo e sincero", defendeu o chefe da Igreja Anglicana em Moçambique.