Activista saarauí incomoda Rabat com deslocação a Portugal

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O momento em que Saramago visitou Haidar durante a greve de fome no aeroporto de Lanzarote, em Novembro de 2009
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A presença e intervenções públicas de Aminatu Haidar em Portugal causaram um claro incómodo junto das autoridades marroquinas. A embaixadora de Marrocos em Lisboa, Karima Benyaich, questionou o timing e a agenda da activista saarauí, que se deslocou ontem à Universidade de Coimbra para receber uma homenagem naquela academia, dia em que decorreu a III Cimeira entre Argélia e Portugal.

Karina Benyaich acusa a coincidência das datas, apontando a vinda de Aminatu Haidar a Portugal durante a III cimeira luso-argelina como “uma provocação” concertada com os interesses de Argel.

Em pano de fundo para estas declarações estão os tumultos registados no acampamento saarauí às portas de El Aaiun, capital do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola ocupada por Marrocos desde 1975. Numa semana em que Marrocos e Argélia - Argel apoia a Frente Polisário, que luta pela independência do Saara Ocidental - iniciaram a terceira ronda de conversações sob a égide das Nações Unidas, próximo de Nova Iorque, Rabat carregou sobre o acampamento originando uma resposta em força dos independentistas.

Sustentando que a situação se encontra “controlada”, a embaixadora lembra que este tipo de acções é uma ocorrência que se repete todos os anos por altura do dia 31 de Outubro. Nessa data, em 1975, Rabat lançou uma operação de anexação do território, aquela que ficou conhecida por Marcha Verde, depois de meses de contactos terem culminado nos acordos de Madrid, através dos quais a Espanha cedeu o Saara Ocidental a Marrocos e Mauritânia.

Greve fome há um ano em Lanzarote
"O ano passado foi caso de Aminatu Haidar", afirmou Karina Benyaich, aludindo à greve de fome que a activista manteve durante mais de um mês no aeroporto de Lanzarote, nas Canárias, por lhe ter sido recusada a entrada em Marrocos, para depois rumar ao Saara Ocidental.

Por coincidência, também nesse 14 de Novembro Haidar regressava a casa depois de uma deslocação aos Estados Unidos para receber em Nova Iorque o Prémio Robert F. Kennedy, atribuído anualmente a pessoas que se distinguem na defesa dos Direitos Humanos.

Durante o jejum de 32 dias Aminatu Haidar receberia a visita de muitas personalidades e uma solidariedade internacional que chegava de todo o mundo. Entre aqueles que estiveram com a activista contou-se o escritor José Saramago, tendo a saarauí estabelecido fortes laços com o Nobel português.

Na base da razão apresentada pelas autoridades marroquinas para negarem a entrada de Aminatu Haidar esteve o facto de a activista ter escrito saarauí no espaço do impresso de fronteira reservado à nacionalidade. Só após 32 dias de uma greve de fome com grande exposição mediática seria autorizada a regressar a casa.

Assinalando esta atitude também como uma “provocação”, a embaixadora defendeu que “Aminatu Haidar é marroquina, tem passaporte marroquino (...) e não quis reconhecê-lo".

Mas continua a poder "viajar e falar abertamente", sublinhou Karina Benyaich.

Questionada acerca de uma nova detenção de Haidar posterior ao episódio de Lanzarote, a embaixadora passa a ideia de que se tratou de mais uma "acção planeada" em que “ela responde a uma agenda da Argélia".

Tópicos:

Argélia, Embaixadora marroquina, Karina Benyaich, Marrocos, Saara Ocidental, Aminatu Haidar,

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