Assad reconhece "estado de guerra" na Síria

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O Presidente da Síria, Bashar al-Assad, reconheceu o "estado de guerra" que tomou conta do país
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O Presidente da Síria, Bashar al-Assad, declarou ontem que o país vive nesta altura um “verdadeiro estado de guerra em todos os sentidos”. Num discurso proferido na televisão estatal, durante uma reunião com o novo Governo sírio, o número um do regime reconheceu estar a mobilizar “todas as políticas e todos os sectores” do Executivo recém-nomeado “para ganhar esta guerra”. Como que a ilustrar a declaração de Assad, um grupo de homens armados irrompeu horas depois na sede de um canal de televisão apoiado pelo Governo, causando três mortos entre os funcionários.

Segundo a agência de notícias SANA, o ataque resultou na destruição do edifício, que foi bombardeado pelo grupo de rebeldes. O ministro sírio da Informação, Omran al-Zoebi, lamentou o ataque àquele que é um dos principais bastiões mediáticos do regime de Assad, classificando a ação como um “massacre contra a liberdade de imprensa”. De acordo com um dos funcionários da Ikhbariya TV, um canal privado controlado por apoiantes do Governo e frequentemente descrito como “veículo de propaganda”, o ataque deixou vários feridos entre os trabalhadores. Alguns foram raptados.

Quando passam 16 meses desde o início da revolta contra o regime totalitário, que segundo os cálculos da ONU já terá provocado cerca de 15 mil vítimas mortais na Síria, os combates entre o Exército e os rebeldes continuam a não dar tréguas em todo o país. E cada vez mais nas imediações de Damasco.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, só na terça-feira 135 pessoas, maioritariamente civis, morreram na sequência dos conflitos, 28 da quais a oito quilómetros da capital. O recurso inédito ao poder de fogo por parte do Exército de Assad nos arredores da fortemente vigiada cidade de Damasco e a mudança de atitude do Presidente, que tem refutado continuamente os indícios de guerra civil no país, refletem o agravamento da situação na Síria.

O mesmo tem sido alertado pelos observadores da Organização das Nações Unidas, cuja missão no país permanece suspensa desde 16 de junho devido à escalada da violência.
Ocidente na mira de Assad
As informações oficiais que provêm da agência oficial do Governo indicavam ontem que “grupos de terroristas armados” estariam a bloquear a estrada que liga Damasco a Beirute, no Líbano. Dezenas de combatentes dos rebeldes foram abatidos ou detidos pelas forças de Assad, que recorreram ao lançamento de rockets e a tiros de metralhadora, revela a SANA.

No mesmo discurso em que reconheceu o estado de guerra, Assad garantiu que pretende cimentar “boas relações com todos os países”, mas que em primeiro lugar estão os interesses do próprio Governo. E pediu aos seus novos ministros para se absterem de tentar formar alianças com países ocidentais. “Os nossos problemas parecem vir sempre do Ocidente”, justificou.

Porém, ontem foi a vez de a Turquia, antiga aliada do país vizinho, insurgir-se agora contra o regime sírio. Em resposta ao abate de um caça turco por parte do Exército sírio, o primeiro-ministro Tayyp Erdogan ordenou às tropas que vigiam a fronteira com a Síria que o primeiro sinal de ameaça à Turquia seja encarado como “ameaça militar”. A manobra recebeu o apoio da NATO.

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Assad, Damasco, Direitos, Erdogan, Humanos, ONU, Observatório, Síria, Turquia, guerra,

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