Bento XVI critica capitalismo, marximo e governos autoritários

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O Papa Bento XVI criticou o capitalismo, o marxismo e os governos autoritários, no discurso mais político de sua visita ao Brasil, proferido durante abertura da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e das Caraíbas.

"Tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas, uma vez estabelecidas, funcionariam por si mesmas. E essa promessa ideológica demonstrou-se falsa", destacou o Papa, no discurso proferido em português e espanhol.

"O sistema marxista não só deixou uma triste herança de destruições económicas e ecológicas, mas também uma dolorosa destruição do espírito. E o mesmo vemos no Ocidente, onde cresce constantemente a distância entre pobres e ricos e se produz uma inquietante degradação da dignidade humana com a droga, o álcool e as subtis miragens de felicidade", acrescentou.

Bento XVI destacou que na América Latina e Caraíbas "ainda há motivos de preocupação ante formas autoritárias de governos ou sujeitas a certas ideologias que se acreditavam superadas e que não correspondem à visão cristã do homem e da sociedade", numa alusão aos governos da Venezuela e Bolívia.

Por outro lado, a economia liberal de alguns países latino-americanos, na visão do Papa, está a aumentar o número de pobres e excluídos.

"Quem exclui a Deus de seu horizonte falsifica o conceito de realidade e, em consequência, só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas", sublinhou Bento XVI, ao criticar as duas ideologias.

Segundo o Sumo Pontífice, "a Igreja é advogada da justiça e dos pobres", precisamente por não se identificar com os políticos nem com interesses partidários.

"A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristã", disse.

Bento XVI referiu-se também à globalização que, segundo a sua avaliação, embora seja um êxito em certos aspectos e um "sinal da profunda aspiração da unidade", apresenta os riscos dos grandes monopólios e da conversão do lucro em valor supremo.

O Papa instou a América Latina a defender a tradição da família, a qual considera "um património da humanidade" e exortou os laicos católicos a serem conscientes da sua responsabilidade na vida pública, opondo-se às injustiças.

Bento XVI disse ainda que a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e das Caraíbas, que se realiza em Aparecida (a 167 quilómetros de São Paulo), onde fica o maior santuário da Nossa Senhora padroeira dos brasileiros, fará uma reflexão para ajudar os fiéis cristãos a viver com alegria e coerência a sua fé e a ser discípulos e missionários de Cristo.

A V CELAM, que tem a participação de 176 bispos de 35 países, prosseguirá até 31 de Maio com discussões sobre vários problemas regionais, como a pobreza, a injustiça social, o crescimento do protestantismo pentecostal na América Latina e a crise vocacional da Igreja Católica.

O discurso de Bento XVI na abertura da V CELAM foi o seu último compromisso público no Brasil.

O Papa segue agora, de helicóptero, de Aparecida para o aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, de onde embarca para a Itália.


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