Catalunha: "Vamos proclamar a independência"

por João Fernando Ramos, Rui Sá

Com ou sem acordo de Madrid o presidente da Generalitat da Catalunha, anunciou um referendo vinculativo à independência da região mais rica de Espanha.
A data: setembro do próximo ano. Carles Puigdemont antecipa mesmo o resultado: "Vamos proclamar a independência".

A Catalunha viabilizará um governo em Madrid caso seja aceite a realização de um referendo vinculativo à independência da região.

Numa entrevista exclusiva à RTP, que emitimos amanhã na Página 2, o presidente da Catalunha garante que não existirá solução para Espanha mesmo depois de terceiras eleições sem o envolvimento da região.

A proposta de Carles Puigdemont aos políticos de Madrid é simples: Uma divórcio amigável, que até se pode tornar numa união de facto, ou a rebelião, ainda que pacifica. Um governo para Espanha ou, sem os votos catalães, o caos sem fim.

O anuncio de um referendo vinculativo aconteceu esta quarta feira no parlamento Catalão. O presidente do governo regional recorda que em 2014 quase 81% dos votos expressos no referendo não oficial resultaram num sim à independência.

O Tribunal Constitucional espanhol considerou o ato ilegal e sem validade democrática.

A intenção é agora negociar uma saída legal para esse problema. A solução pode passar por um estado federal. A proposta nem sequer partiu de Barcelona. É uma ideia "velha" dos socialistas espanhóis que o homem forte da Catalunha quer recuperar.

Mais de dois milhões marcham todos os anos pela independência no dia da Catalunha. É mais de um quarto do total da população. O desejo: transformar em país aquilo que a própria Espanha reconhece ser uma nação.

Com 6% do território e 16% da população, a Catalunha é responsável por 20% de toda a riqueza produzida por Espanha e 25% do PIB industrial do país.

Contas feitas a mesma riqueza que Portugal inteiro concentrada numa região que tem a mesma área que o o Alentejo.
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