Comunidade internacional deve passar à ação na Líbia, pede representante junto da UE

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A representante da Líbia junto da UE pediu hoje, em Lisboa, à comunidade internacional que ponha de lado a estratégia e "passe à ação" para combater o terrorismo.

"Chegou a altura de deixar de falar de estratégias, documentos, planos e passar à ação e dizer basta (...) Há quatro anos que esperamos por ações", declarou Farida El Allagi, encarregada de negócios da missão da Líbia junto da UE e representante do parlamento reconhecido pela comunidade internacional.

"A Líbia atual é o produto de 42 anos do regime de Muammar Kadhafi", acrescentou, para explicar a emergência de dois problemas: o terrorismo e a migração, durante a intervenção na sessão plenária da Assembleia Plenária da União para o Mediterrâneo, que decorreu hoje e na segunda-feira no parlamento português.

Allagi sublinhou não ser possível realizar um diálogo político sem falar de medidas de segurança.

A comunidade internacional luta contra os terroristas do grupo extremista Estado Islâmico no Iraque e na Síria, "mas não na Líbia", disse, perante os parlamentares das duas margens do mar Mediterrâneo.

"É preciso lutar contra o terrorismo na Líbia. Se não o querem fazer pela Líbia, façam-no pelo vosso país, pelo vosso povo, pelo vosso futuro", declarou.

A Líbia é dominada por grupos armados praticamente desde o fim do regime de Muammar Kadhafi, em 2011, afastado do poder com o apoio de uma operação internacional da NATO. O país é dirigido por dois parlamentos e dois governos, um reconhecido pela comunidade internacional e o outro próximo das milícias islamitas, que disputam o poder.

Na segunda-feira, a UE anunciou que pretende obter autorização do Conselho de Segurança da ONU para uma missão naval de luta contra as redes de tráfico humano que forçam os migrantes a arriscarem as próprias vidas em alto mar, de forma a alcançarem o território europeu. A grande maioria viaja a partir da Líbia.

Mais de 1.700 pessoas já perderam a vida ou desapareceram no mar desde o início de 2015.

Os presidentes dos parlamentos dos países da União para o Mediterrâneo (UpM), reunidos na segunda-feira em Lisboa, decidiram recomendar à UE a criação de mais canais humanitários e vistos para enfrentar chegadas de migrantes em situação de emergência.

A recomendação consta da declaração final da II Cimeira de Presidentes da Assembleia Parlamentar da UpM, dedicada à Imigração, Asilo e Direitos Humanos na Região Euro-Mediterrânica -- que foi dirigida pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves --, e vai ser enviada às instituições da UE e aos chefes de Estado e de Governo da UpM.

Criada em 2008, a União para o Mediterrâneo integra os 28 países da UE e outros 15 da bacia do Mediterrâneo (como Marrocos, Turquia, Israel e Jordânia), assim como a Autoridade Palestiniana.

Tópicos:

II Cimeira, Islâmico, Líbia, Muam Kadhafi,

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