Construção de nova câmara para telescópio arranca hoje com participação portuguesa

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A construção de uma nova câmara para o Telescópio Muito-Grande, no Chile, em que a qualidade da imagem será assegurada por uma equipa portuguesa, inicia-se hoje, informou o Centro de Astronomia e Astrofísica de Lisboa.

A nova câmara, de nome MOONS (Multi-Object Optical and Near-infrared Spectrograph), é um espectrógrafo que será instalado num dos quatro telescópios principais do Very-Large Telescope (VLT, Telescópio Muito-Grande), do Observatório Europeu do Sul (OES), organização da qual Portugal é um dos países-membros.

Caberá a uma equipa do Centro de Astronomia e Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (CAAUL) construir "o sistema que vai maximizar a qualidade ótica da câmara MOONS em todo o campo de visão".

Na prática, a equipa portuguesa será responsável pela construção de um sistema ótico com duas lentes de um metro de diâmetro e do sistema mecânico de posicionamento, das lentes, no telescópio.

A câmara, que permitirá o registo fotográfico de um espetro luminoso nas regiões visível e ultravioleta, e também no infravermelho, deverá estar operacional em 2018.

Durante dez anos, tempo de duração previsível do equipamento, a MOONS irá observar cerca de dez milhões de galáxias e "sondar a estrutura da Via Láctea, observando estrelas até uma distância de 40 mil anos-luz" da Terra, "incluindo regiões obscurecidas por poeira, permitindo, assim, aos astrónomos construírem um mapa tridimensional" da Via Láctea, indica uma nota do CAAUL.

Segundo o diretor do CAAUL, e um dos responsáveis pelo projeto, José Afonso, o espectrógrafo, considerado de nova geração, conseguirá mostrar como "milhões de galáxias cresceram na época em que o Universo se mostrou mais ativo, há quase dez mil milhões de anos".

Na construção da nova câmara participam, além de Portugal, Reino Unido, França, Itália, Chile e Suíça.

O VLT é composto por quatro telescópios principais, com espelhos de 8,2 metros de diâmetro, e por quatro telescópios auxiliares móveis, com espelhos de 1,8 metros.

O conjunto de telescópios forma, de acordo com o OES, um "gigantesco interferómetro" - um instrumento ótico baseado na interferência de ondas luminosas - "que permite aos astrónomos observarem detalhes com precisão superior, até 25 vezes, à dos telescópios individuais", a tal ponto que "seria capaz de distinguir individualmente os dois faróis de um carro na Lua".

O VLT está situado no Monte Paranal, no deserto de Atacama, no Chile, a 2.635 metros de altitude.

 

Tópicos:

Astronomia, Atacama Chile, Lua, MOONS Multi Object Optical Near, OES, Suíça, Unido,

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