Cuba rejeita a sua "injusta e arbitrária" inclusão em lista terrorista dos EUA

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Cuba rejeitou, esta quinta-feira, a sua inclusão, por mais um ano, na lista de países `patrocinadores` do terrorismo, elaborada pelos Estados Unidos, exigindo que o fim de uma acusação "injusta e arbitrária", que visa justificar o bloqueio de Washington.

"Esta vergonhosa decisão foi tomada faltando, de forma deliberada, com a verdade, ignorando o amplo consenso e a exigência explícita de inúmeros setores da sociedade norte-americana e da comunidade internacional para que se ponha fim a essa injustiça", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros cubano, num comunicado divulgado pela imprensa oficial.

Após rejeitar "energeticamente o uso, com fins políticos, de um assunto tão sensível como o terrorismo internacional", Havana reclama que "se ponha fim a esta designação vergonhosa que ofende o povo cubano, tendo como único objetivo tentar justificar (...) o bloqueio anacrónico e cruel contra Cuba e que desacredita o próprio Governo dos Estados Unidos".

No seu relatório anual sobre o assunto, apresentado esta quinta-feira, o Departamento de Estado norte-americano mantém Cuba, a par do Irão, Sudão e Síria, na lista de países que `patrocinam` o terrorismo.

Washington alega que Cuba, que integra essa lista desde 1982, "continua a proporcionar refúgio a duas dezenas de membros da ETA" e que, em anos anteriores, permitiu que guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) se refugiassem na ilha ou transitassem por ela com destino a outros países.

O Governo cubano assegura, contudo, que Cuba "nunca foi e nunca será usada para abrigar terroristas, independentemente da origem, nem para organizar, financiar ou perpetrar atos de terrorismo contra qualquer país do mundo, incluindo os Estados Unidos".

Relativamente às FARC, Havana qualifica de "absurda" a acusação dos Estados Unidos e recorda que Cuba tem vindo a atuar como mediador nas conversações de paz entre o Governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha, as quais decorrem, desde novembro, na capital cubana.

Sobre a presença de membros da ETA, citada no relatório norte-americano, Cuba critica Washington por desconhecer que os referidos casos responderam a "uma solicitação dos governos envolvidos" no assunto.

Já no que concerne à acusação de que oferece refúgio a fugitivos procurados nos Estados Unidos, proporcionando-lhes casa, Havana respondeu que nenhum deles foi acusado de terrorismo.

"Cuba tem sofrido durante décadas as consequências de atos terroristas organizados, financiados e executados a partir de território dos Estados Unidos, com um saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados", refere o ministério cubano, no comunicado, citado pela agência Efe.

Cuba sustenta que, desde 2002, tem proposto aos Estados Unidos a adoção de um acordo bilateral para combater o terrorismo, uma oferta que renovou no ano passado, mas que, até à data, não recebeu qualquer resposta.

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