Extrema-direita e eurocéticos marcam forte nas europeias

| Eleições Europeias 2014

|

A direita nacionalista os eurocéticos venceram as eleições Europeias em França e na Grã-Bretanha e os partidos mais críticos da UE duplicaram o número de lugares no Parlamento Europeu, no que está a ser interpretado como um voto de protesto dos europeus contra a austeridade e o desemprego. O desfecho eleitoral já era antecipado e pode vir a transformar decisivamente a política europeia, e as políticas nacionais dos países onde o fenómeno teve maior expressão.

Os primeiros resultados oficiais mostram que 70 por cento dos 751 lugares no Parlamento Europeu continuarão a ser controlados por partidos pró-europeus do centro-direita e do centro esquerda.

O Partido Popular Europeu, (PPE) de centro-direita, liderado pelo luxemburguês Jean Claude Juncker, deve ficar com 212 lugares, seguido pelos socialistas (SD), liderados pelo alemão Martin Schulz, que alcançam 186 lugares.
Eurocéticos são 30 por cento do parlamento
Já o Partido Liberal (ALDE) deve conseguir 70 eurodeputados e os verdes 55, enquanto que a extrema esquerda (GUE/NGL) contabiliza 43 e a direita conservadora do EFD 44.

Os partidos eurocéticos devem conseguir, no seu conjunto, 141 lugares

O resultado provável destas eleições será o de tornar mais difícil o consenso no bloco de 28 países. Particularmente espinhosas serão questões importantes como o grau de liberalização dos mercado interno de serviços e do que deve ser ou não incluído no acordo de comércio livre com os Estados Unidos, ou ainda, como conseguir obter o equilíbrio entre as diferentes fontes energéticas.

Mas os ganhos da extrema-direita e dos eurocéticos nas europeias vão também condicionar as políticas nacionais, particularmente em França e na Grã-Bretanha onde o avanço destas forças foi mais decisivo.
Eurocéticos britânicos tiveram maioria 
Na Grã-Bretanha, o UKIP obteve 27,5 por cento dos votos, acima da oposição trabalhista que conseguiu 25,4 por cento e dos conservadores no poder que se ficaram pelos 24 por cento.

A vitória do UKIP, que defende a saída do Reino Unido da UE, deverá aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro David Cameron que tinha prometido aos britânicos um referendo para decidir se queriam ficar ou sair da união.

“Todo o projeto europeu tem sido uma mentira” declarou na televisão o líder do UKIP Nigel Farage, “ “não quero apenas que a Grã-Bretanha deixe a União Europeia, quero que a Europa deixe a União Europeia”.

Luke MacGregor,Reuters
Frente Nacional faz "terramoto político" em França
Em França, a vitória da Frente Nacional abalou as instituições, levando o primeiro ministro Manuel Vals a falar de “terramoto político”.

Com oitenta por cento dos votos contados, a Frente Nacional de Marine Le Pen tinha ganho as eleições com 26 por cento, à frente da oposição conservadora do UMP e dos socialistas no poder que registavam uns humilhantes 13,8 por cento.

Reagindo à vitória, Marine Le Pen disse aos seus apoiantes que “o povo falou alto e de forma clara (…) já não querem ser governados por aqueles que estão fora das nossas fronteiras, por comissários da UE e tecnocratas que não foram eleitos” .

O presidente François Hollande marcou para esta segunda-feira uma reunião de emergência com os principais ministros para debater a nova situação política.

O primeiro-ministro Valls já prometeu entretanto que vai continuar com os cortes na despesa e nos impostos, que, segundo ele, vão aliviar os problemas dos eleitores que rejeitaram o partido do governo devido à sua frustração com o desemprego e os problemas económicos.
Forças "anti-establishment" avançam em todo o continente
Na Holanda,o Partido da Liberdade de Geert Wilders, conhecido pelas posições anti-islamicas e eurocéticas, ficou abaixo das previsões mas, ainda assim, em segundo lugar.  Gert Wilders planeia aliar-se com a FN de Marine Le Pen no Parlamento Europeu.

Na Dinamarca, o partido anti-imigração de extrema direita venceu as eleições e na Hungria, o vencedor foi o partido Jobbik, que tem sido frequentemente acusado de manter posições racistas e e anti-semitas.

Na Grécia, epicentro da crise da dívida da Zona Euro, o partido da esquerda radical e anti austeridade, Syriza ganhou as eleições. Uma projeção oficial deu ao Syriza 26,7 por cento, face aos 22,8 por cento da Nova democracia do Primeiro ministro Antonis Samaras , no que é visto como mais um voto de protesto contra a austeridade e os cortes que a troika impôs à Grécia.

Também na Grécia o partido de extrema direita Aurora Dourada, que muitos acusam de ser neo-nazi,  obteve 9,37 por cento dos votos, tornado-se na terceira força política do país.
Barroso apela às forças pró-europeias
Em Bruxelas os resultados das eleições são vistos com apreensão.

Numa primeira reação aos resultados, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso apelou esta segunda feira às forças europeias para “se reagruparem” depois da subida nas urnas dos partidos eurófobos.

Barroso considerou “muito importante” que as forças políticas “representadas no seio da Comissão”, conservadores, socialistas e liberais, “tenham no seu conjunto” obtido de novo a maioria.

O presidente da Comissão considera que, os resultados mostram que é possível formar “uma maioria sólida e funcional “ no Parlamento Europeu.

Estas três forças “não estão de acordo sobre todos os pormenores, mas partilham um consenso fundamental para uma Europa que agora deve ser reforçada”, disse Barroso, para quem “chegou o momento de se agruparem e definirem o futuro da União”.

Tópicos:

Eurocéticos, Parlamento Europeu, extrema direita, Eleições Europeias,

A informação mais vista

+ Em Foco

Milícias separatistas apoiadas e armadas pelos Emirados Árabes Unidos tomaram a capital do sul, reforçando a sua posição face aos antigos aliados sauditas.

    Dois anos depois do grande incêndio de Pedrógão, a floresta continua por ordenar e o Governo conta com pelo menos uma década para introduzir as mudanças necessárias.

      Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

        Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.