Governo de transição da Guiné-Bissau admite "questionar" presença na CPLP

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O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de transição da Guiné-Bissau admitiu hoje "questionar" a permanência na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) caso a organização persista em vedar ao país "o direito de ser ouvido".

"Queremos dizer à CPLP o seguinte: a Guiné-Bissau é um país soberano e independente e as autoridades que estão na testa deste país são altamente competentes, responsáveis, e merecem o tratamento devido. Pedimos à CPLP uma coisa só, o diálogo", disse Faustino Imbali hoje em Bissau, numa conferência de imprensa.

Frisando que o retorno a 11 de abril (antes do golpe de Estado) não é possível, o ministro de transição considerou "triste" que a CPLP "continue a julgar a Guiné-Bissau nas organizações internacionais de maneira unilateral", sem que o governo de transição possa ser ouvido.

"Achamos que isso não é normal, temos o direito de resposta e de ser ouvidos e queremos deixar clara esta posição de que se a CPLP continuar a jogar esse papel, de vedar à Guiné-Bissau o direito de ser ouvido e de nos julgarem unilateralmente, um dia estaremos em razão de questionar a oportunidade da nossa continuação nessa instituição", disse Faustino Imbali.

E acrescentou: "queremos que a CPLP seja parte da solução dos problemas da Guiné-Bissau e não parte dos obstáculos" e a CPLP está até aqui a posicionar-se "como um grande obstáculo à normalização total da situação da Guiné-Bissau".

Faustino Imbali apelou várias vezes ao diálogo com a CPLP, disse não entender a posição "tão radical e unilateral" da instituição e admitiu que o governo não estará presente na cimeira da CPLP em Maputo, prevista para julho, caso não seja convidado. Ainda assim disse que há esforços do governo e do Presidente interino para que haja um entendimento e que na cimeira "haja a participação da família CPLP".

De acordo com as palavras do ministro, há na Guiné-Bissau, de facto, "um governo legal, constitucional, que é produto da comunidade internacional", que deu ao executivo um mandato de 12 meses para preparar eleições gerais mas também, nesse período, lutar contra a impunidade, reformar o setor de defesa e segurança e lutar contra o crime organizado.

"Para vencer esses desafios precisamos de todos, a nível interno e externo. Este governo não é produto do golpe de Estado mas produto da comunidade internacional, concretamente da CEDEAO" (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), disse, lamentando que parte da comunidade internacional não reconheça o governo de transição.

Faustimo Imbali congratulou-se por os Estados Unidos terem admitido esta semana trabalhar com o governo e salientou que também a França "apoia todas as decisões, todo o esforço da CEDEAO para a resolução do conflito na Guiné-Bissau".

E salientou que o governo de transição vai "continuar o diálogo" para flexibilizar posições, nomeadamente da União Europeia e da União Africana. "O que nos vai libertar são as nossas próprias ações, o governo está ciente disso", disse, acrescentando que nas próximas semanas se iniciará o diálogo sobre o processo de reforma das forças de segurança e vai começar também o processo de recenseamento.

A nível diplomático pretende continuar o diálogo com outros países da CEDEAO, nomeadamente a Costa do Marfim e a Nigéria, não sendo de excluir uma visita do Presidente interino, Serifo Nhamadjo. "Mas a nossa prioridade são os nossos irmãos da CPLP", disse.

Fundamental para o país, acrescentou ainda, é "um grande processo de reconciliação, na base da justiça e verdade", e não "uma conferência internacional", que não passa de "uma missa da qual ninguém conhece o conteúdo ou os resultados".

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