Grécia aproxima-se da Rússia e quebra consenso europeu sobre sanções

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O primeiro diplomata que o novo primeiro ministro grego recebeu foi o embaixador da Rússia. Um dos primeiros contactos que teve com Bruxelas foi para protestar contra a declaração europeia ameaçando novas sanções contra a Rússia.

Alexis Tsipras lamentou em declaração proferida na noite de ontem, terça feira, que os chefes de Estado e de Governo da União Europeia tivessem emitido a declaração ameaçadora. Nela se condenava o "persistente e crescente apoio" de Moscovo aos rebeldes pró-russos no Leste da Ucrânia e se agitava a ameaça de novas sanções europeias contra a Rússia.

Segundo o diário suíço Neue Zürcher Zeitung, o novo primeiro ministro grego criticou o facto de a declaração ser emitida sem prévia consulta à Grécia, o que constitui, na verdade, uma entorse aos procedimentos usuais. E, segundo disse, protestou também telefonicamente junto da comissária europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini. Mas o desagrado de Tsipras e do seu Governo, parceiro de coligação incluído, dirige-se sobretudo contra a substância da declaração.
Críticas gregas à diplomacia europeia vêm de antes
Com efeito, o Syriza tinha já como partido de oposição um historial consistente de se opor à ostracização da Rússia pela UE. Assim, os seus seis eurodeputados tinham votado em Setembro do ano passado contra a ratificação de um tratado de associação entre a Ucrânia e a UE. Agora, como partido de Governo passa a dispor praticamente de um direito de veto contra novas sanções que só podem ser decididas pelo voto unânime dos Estados membros.

Também o parceiro de coligação do Syriza, o partido de direita "Anel", tem antecedentes de política externa pró-russa. O seu líder e novo ministro da Defesa, Panos Kammenos, e aí terá discutido com correligionários russos, segundo suposição do politólogo Anton Schechowzow, a eventualidade de uma coligação com o partido da esquerda grega, já então ganhador provável das eleições.Alemanha e Bruxelas receiam viragem
O comissário do Governo alemão para as relações com a Rússia, Gernot Erler, manifestou-se hoje em entrevista ao ARD-Morgenmagazin aprrensivo sobre os efeitos que uma viragem da política externa grega pode trazer ao frágil consenso até aqui criado na diplomacia europeia, em torno das sanções contra a Rússia.

Segundo Erler, "Moscovo tentou sempre introduzir uma cunha nessa unidade e agora seria muito de lamentar que isso [a unidade da política externa europeia] acabasse, com a eleição do sr. Tsipras". Uma decisão sobre novas sanções contra a Rússia estaria para ser tomada em 12 de Fevereiro, mas Erler admite que agora é preciso "fazer mais trabalho de casa" até lá.Moscovo baixa o preço do gás para os consumidores gregos
Os responsáveis da política externa de Bruxelas e de Berlim têm, por outro lado, alguns motivos palpáveis para recearem a aproximação Atenas-Moscovo. Segundo fontes citadas por Der Spiegel, haveria já um compromisso russo de passar a importar mercadorias gregas que fossem, eventualmente, atingidas por um boicote europeu.

Por outro lado, a empresa estatal russa Gazprom ter-se-ia disponibilizado para fornecer à Grécia gás a um preço muito favorável. Este compromisso seria, segundo uma interpretação corrente, o motivo para o novo ministro da Energia, o apodado de "esquerdista" Panayotis Lafazanis, ter travado abruptamente a privatização da fornecedora de gás grega DEH e ter decidido o fornecimento de gás mais barato aos consumidores.




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