Hollande e Merkel divididos face à ascensão do Syriza na Grécia

| Eleições na Grécia

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O Presidente francês mantém uma perspetiva mais moderada do que a chanceler alemã em relação às eleições gregas que se avizinham. Perante a possibilidade da vitória do Syriza, partido da esquerda dita radical, Angela Merkel já veio admitir a hipótese de abrir a porta à saída de Atenas da Zona Euro. François Hollande prefere sublinhar que os gregos são donos do seu destino, apenas deixando ao país a necessidade de respeitar os compromissos assumidos pelos executivos anteriores com a troika.

Quando as sondagens dão ao Syriza uma forte vantagem sobre todos os partidos do tradicional panorama político na Grécia, Alexis Tsipras fez saber ao que vem, reforçando a ideia de que uma vitória do seu partido implicará imediata renegociação das medidas de austeridade desenhadas em três pacotes de ajuda a partir de Berlim.A notícia foi avançada a semana passada pela Der Spiegel. A revista alemã apontava o desagrado de Angela Merkel com a volatilidade política na Grécia, admitindo um tudo por tudo com a saída dos gregos da Zona Euro.

Um posicionamento que não tem para já acolhimento oficial do Eliseu. Numa entrevista esta segunda-feira à rádio France Inter, François Hollande deixa com o povo grego a missão de decidir o seu futuro.

No comício que deu início à campanha eleitoral, o líder do Syriza garantira que partirá para negociações com um perdão de uma parte substancial da dívida em cima da mesa, já que “a dívida objectivamente não pode ser paga”.

Em caso de vitória, o Syriza negociará “sobre uma base realista” que visa tornar a dívida sustentável, através do crescimento e “com medidas que não prejudiquem os povos europeus”: “Só [o primeiro-ministro Antonis] Samaras é que faz de conta que a dívida é sustentável, para não reconhecer que o seu programa fracassou e que é necessário acabar com a austeridade”, declarou Alexis Tsipras.Alexis Tsipras: “O Memorando [de entendimento com a troika] pertencerá ao passado, não só na Grécia como em toda a Europa”.

Estas posições não agradam à chanceler alemã, que – em caso de um cenário com o Syriza a liderar o executivo de Atenas - parece preferir já a imediata saída da Grécia da Zona Euro. A líder do chamado motor da Europa não está disposta a ter de lidar em Atenas com negociadores implacáveis em relação às políticas de rigor orçamental que tanto acarinha e que vêm sendo aplicadas aos países sob resgate.

Numa atitude inversa, na entrevista à France Inter, François Hollande respondia esta manhã que “os gregos são livres de decidir soberanamente o seu governo”.


Foto: Christian Hartmann, Reuters

No mesmo sentido, Hollande defende que “a pertença da Grécia à Zona Euro é um assunto que cabe apenas à Grécia decidir (…) dito isto, [o novo governo] terá de respeitar os compromissos [assumidos pelos governos anteriores, nomeadamente o pagamento da dívida]”.
Desemprego obriga a trabalhar crescimento
Mas Hollande enfrenta ele próprio um forte desafio no campo económico, com o tardar de uma vitória sobre o desemprego francês. Questionado a este propósito pela France Inter, o Presidente socialista admitiu que a demora em inverter a curva do desemprego, um atraso que Le Monde – ao tratar a entrevista – chama de “falhanço”, é responsabilidade sua.

“Há uma responsabilidade que eu assumo”, declarou o Presidente francês, para explicar que espera no final dos cinco anos de mandato no Eliseu conseguir fazer frente ao problema. Hollande garante, contudo, que “não vai criar novos impostos a partir de 2015”.

Hollande apontou a estratégia do seu executivo no sentido de injetar a economia com um crescimento superior a um ponto percentual, que Hollande vê como condição necessária para garantir o corte no desemprego. É nesse sentido que assegura que “tudo fará para atingir” essa fasquia.

“Farei todos os possíveis para conseguir que o crescimento seja o mais alto possível, acima de um por cento, [porque] só se criará emprego de forma duradoura se houver crescimento”, respondeu.

François Hollande acaba no entanto por não ser incisivo na estratégia para esse revigoramento da economia gaulesa, hesitando entre o corte dos impostos e o ataque ao défice. Aponta entretanto ao pacto de responsabilidade: a redução das contribuições patronais, uma vez que “é importante ser o mais competitivo possível”.

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