Human Rights Watch acusa Damasco de usar bombas incendiárias

| Mundo

Várias explosões provocadas por carros armadilhados e bombas voltaram a abalar Damasco nesta quarta-feira matando sete pessoas, ferindo 50 e provocando sobretudo estragos materiais
|

A Organização não-governamental Humans Rights Watch (HRW) acusou as autoridades sírias de estarem a usar bombas incendiárias em zonas povoadas, apelando à suspensão de tais armas, "que provocam um imenso sofrimento humano".

A HRW baseou as suas acusações em testemunhos e em vídeos publicados na internet por ativistas anti-Assad.As bombas incendiárias contêm habitualmente materiais inflamáveis como o napalm, a térmite ou o fósforo branco, que podem incendiar edifícios, causar queimaduras severas e problemas respiratórios graves.

As bombas pareciam ser de dois tipos de modelos soviéticos, um dos quais espalha submunições numa área do tamanho de um campo de futebol, afirmou ainda a HRW.

Concluiu que, pelo menos quatro áreas foram atingidas por estas bombas, duas cidades perto de Damasco, outra na província de Idlib e outra em Homs. A ONG está à procura de mais casos.

Segundo os ativistas, as bombas foram lançadas de aviões caças MiG russos e explodiram ainda no ar espalhando os materiais inflamáveis por vastas áreas.

A HRW sublinha que a maioria dos engenhos na posse do exército sírio contém térmite, a qual é "usada pelo seu resultado incendiário, e não para marcar, iluminar ou encadear".

Nas últimas semanas Damasco tem sido acusada por países ocidentais de estar a preparar-se para começar a usar armas químicas. Ministério sírio do Interior atingido por explosões
Um carro armadilhado e duas outras bombas explodiram frente ao portão principal do ministério do Interior em Damasco, deixando na estrada um buraco de 2 metros de diâmetro rodeado de escombros.

O edifício fica em Kafar Souseh perto da praça central de Ummayad, uma área da capital síria disputada pelas forças rebeldes e pelo exército.

As explosões em Damasco mataram pelo menos sete pessoas, feriram mais de 50 e provocaram estragos avultados, de acordo com fontes dos serviços de segurança

Um canal libanês de televisão, ligado à guerrilha do Hezbollah, afirmou que quatro pessoas morreram neste ataque e mais de 20 ficaram feridas. Os números foram revistos em alta por uma fonte dos serviços de segurança à Agência France Press, que falou em sete mortos e mais de 50 feridos.

A estratégia rebelde em Damasco tem-se baseado em surtidas rápidas e em ataques à bomba no centro da cidade, sobretudo contra edifícios estatais.

Os combates têm crescido de intensidade nos subúrbios e nas zonas sul da capital síria, com os rebeldes a tentarem capturar o aeroporto, de forma a impedirem os reabastecimentos do exército sírio por via aéreas.
Coligação Nacional ganha apoios
O conflito sírio já fez 40.000 mortos desde o início da revolta contra o Presidente Bashar al-Assad em fevereiro de 2011. Abastecidos por potências estrangeiras, os rebeldes têm conseguido ganhar posições a Assad, que tem o apoio da Rússia, do Irão e da China.

Reunidos em Marraqueche, Marrocos, os "amigos da Síria", grupo composto por países ocidentais e árabes, apelaram esta quarta-feira a Assad  para que abandone o poder.

A legitimidade da Coligação Nacional síria, liderada pelo clérigo sunita Mouaz Alkhatib, que agrupa a oposição a Assad, é entretanto reconhecida já por 120 países.

Os Estados Unidos reconheceram-na terça-feira como a legítima representante do povo sírio e, esta quarta, foi a vez do grupo dos "amigos da Síria",  darem o seu apoio à Coligação.
Organização terrorista
Os líderes da Coligação criticaram no entanto os Estados Unidos por terem inscrito um grupo armado rebelde sírio, a Frente al-Nosra, na sua lista de organizações terroristas estrangeiras, congelando os bens de dois dos seus líderes, o iraquiano Maysar Ali Moussa Abdallah al-Joubouri e o sírio Anas Hassan Khatab.
A Frente al-Nosra, que Washington considera ter inspiração no grupo al-Qaida no Iraque, tem revelado uma enorme ascendência na revolta síria, impondo-se nas frentes de combate e assumindo responsabilidade pela maioria dos ataques suicidas realizados no país.
"Podemos discordar de alguns grupos, das suas ideias e visão política e ideológica. Mas afirmamos que todas as armas dos rebeldes estão viradas para derrubar o regime tirânico criminoso", afirmou Mouaz Alkhatib.

"A decisão de considerar como terrorista um grupo que luta contra o regime tem de ser revista", acrescentou o líder da Coligação Nacional síria.

Segunda-feira, os rebeldes da Frente capturaram  a base militar Sheik Suleiman perto da cidade de Aleppo, ao fim de semanas de combates.

A conquista realizou-se no entanto à revelia do Exército Síria Livre, que agrupa a maioria das ações militares dos rebeldes. O OSDH afirmou que morreram 35 soldados e 64 foram capturados ou feridos pelos rebeldes.
Escudos humanos
Num outro caso polémico, mas contra a população civil, entre 125 e 150 pessoas morreram em tiroteios e explosões na terça-feira, em Aqrab, uma comunidade da província de Hama no centro da Síria habitada por muçulmanos alauitas, a minoria a que pertence o Presidente Bashar al-Assad.

O Observatório sírio para os Direitos Humanos (OSDH), baseado em Londres apelou a que este e outros casos de violência fossem investigados pelas Nações Unidas, devido às diversas versões dadas pelos militantes no local quanto ao sucedido.

Testemunhas afirmam ter visto homens armados a usarem civis como escudos humanos, ameaçando fazer explodir botijas de gás.

Tópicos:

Anas Hassan Khatab, Coligação Nacional, Damasco, Frente al-Nosra, Maysar Ali Moussa Abdallah al-Joubouri, Mouaz Alkhatib, Washington, Síria,

A informação mais vista

+ Em Foco

Várias organizações de defesa dos Direitos Humanos exigem uma investigação rigorosa.

A morte do advogado foi conhecida há dois anos, no Natal, mas existem vários indícios de que a possa ter simulado.

Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

    Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.