Israel bombardeia mais uma escola da ONU em Gaza

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Tanque israelita diante da localidade palestiniana de Beit Hanun
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A meio da tarde de quinta feira, a artilharia israelita bombardeou uma escola da ONU na localidade de Beit Hanun, causando a morte de pelo menos 15 pessoas que aí se tinham refugiado. Segundo a organização da ONU para apoio aos refugiados (UNRWA), é a 75ª escola da ONU que Israel bombardeia desde o início da ofensiva contra Gaza.

Segundo a Agência France Press, eleva-se a 15 o número de mortos na escola da ONU em Beit Hanun, no Norte da Faixa de Gaza. Um fotógrafo desta agência afirma ter visto entre os corpos das vítimas um de uma criança de um ano e o da sua mãe, na morgue do hospital de Jabaliya, para onde foram transportados.

O Exército israelita prometeu abrir um inquérito para esclarecer motivos e responsabilidades da tragédia, insinuando desde já que o bombardeamento da escola poderia ter sido levado a cabo pelo próprio Hamas. Os responsáveis da escola de Beit Hanun afirmam ter tentado estabelecer uma trégua, para que os refugiados pudessem sair em segurança.

Calcula-se em 110.000 o número de civis de Gaza que nos últimos dias procuraram refúgio em escolas da ONU. Segundo a mesma AFP, Israel bombardeou até agora 75 escolas ao longo destas duas semanas. A UNRWA tem actualmente 245 escolas na Faixa de Gaza, com cerca de 225.000 alunos.

Poucas horas antes do bombardeamento em Beit Hanun, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, queixara-se de estarem a ser armazenadas armas em algumas dessas escolas, embora sem atribuir nominalmente responsabilidades por esse armazenamento. Mas emprestou com as suas palavras uma aparente legitimidade aos recorrentes ataques israelitas contra as escolas da ONU, ao acrescentar: "Os responsáveis [por guardar armamento] transformaram desse modo as escolas em alvos possíveis e puseram em risco as vidas de crianças inocentes, de funcionários da ONU e de refugiados".
Rádio israelita censura nomes de crianças mortas
A organização israelita de direitos humanos B'Tselem denunciou hoje, segundo o diário Haaretz, a proibição emitida pela Autoridade de Radiofonia de Israel (IBA) de que fossem divulgadas listas com os nomes de crianças palestinianas mortas no ataque israelita contra Gaza. O argumento da IBA sustentava tratar-se de uma publicação "politicamente controversa".

A B'Tselem replicou com várias perguntas: “Será controverso que as crianças já não estejam vivas? Que não sejam crianças? Que estes sejam os seus nomes? Estes são factos que queremos trazer ao conhecimento do público".

E acrescentou: "Até agora foram mortas pelos bombardeamentos em Gaza mais de 600 pessoas, mais de 150 eram crianças. Mas, para além de uma breve referência ao número de baixas, a imprensa israelita evita fazer a cobertura disso".

E conclui: "A IBA diz que divulgar os nomes das crianças é politicamente controverso. Mas recusar fazê-lo é em sim mesmo uma declaração eloquente: diz-nos que o preço terrível que é pago pelos civis em Gaza, muitos deles crianças, tem de ser objecto de censura".

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