Mais de 800 mortos na fábrica do Bangladesh

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Os trabalhos de remoção dos escombros da fábrica de roupas perto de Dacca no Bangladesh permitiram a recuperação de praticamente 800 corpos.
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O balanço do pior acidente industrial no Bangladesh é agora de 803 vítimas mortais, após a descoberta de dezenas de corpos esta noite nos escombros de um prédio industrial a 30 quilómetros de Dacca. Após a tragédia, o governo do Bangladesh prometeu apertar a implementação das normas de segurança nas fábricas de têxteis e hoje anunciou o encerramento de 18 destes estabelecimentos, a maioria na região da capital.

"Foram encerradas 16 fábricas em Dacca e duas em Chittagong," a segunda cidade do país, afirmou o ministro do têxtil, Abdul Latiff Siddique.

Estes foram os primeiros encerramentos no quadro dos reforços das medidas de segurança após o desmoramento de há quinze dias, mas outras fábricas se seguirão, acrescentou Siddique.

O edifício de nove andares, o Rana Plaza, abrigava lojas, bancos e cinco fábricas de confeção de roupa, tendo ruído no dia 24 de abril, após um período de falta de eletricidade.
Mais corpos
Além da má construção, que não respeitou as normas de segurança, calcula-se que as vibrações das máquinas e dos gigantescos geradores do edifício tenham contribuído para o desmoronamento.

Na altura encontravam-se mais de 3.000 pessoas a trabalhar nas fábricas. De acordo com as autoridades sobreviveram mais de 2400.

Um porta-voz do exército anunciou que o número de vítimas mortais inclui 13 pessoas que sucumbiram aos ferimentos, além de 790 corpos resgatados até agora dos destroços.

O general encarregue das operações diz que os trabalhos estão agora nos restos do terceiro andar e que das ruínas remanescentes se eleva um cheiro nauseabundo, o que implica corpos em decomposição.

"Pensamos que vamos encontrar mais corpos porque ainda não atingimos os andares inferiores. Completamos os trabalhos a 70%" afirmou o brigadeiro general Siddiqul Alam Sikder.

A remoção dos escombros do edifício de nove andares permitiu recuperar até 8 de maio quase 800 corpos

Apesar disso o número de vítimas ainda por resgatar não deverá ser tão elevado como até agora, pois nos andares inferiores do Rana Plaza existiam bancos e lojas cujas portas abriam somente às 09h00 da manhã, hora a que se deu o desmoronamento.

A maioria dos funcionários desses locais não teria ainda chegado ao trabalho.
Condenação à morte
Cerca de 150 corpos foram encontrados nas escadas do edifício, como se os operários tivessem tentado fugir. Mas o prédio ruiu como um castelo de cartas em menos de cinco minutos, anulando qualquer possibilidade de salvamento.

Uma dúzia de pessoas foi detida nas investigações ao ocorrido, entre elas os proprietários do edifício e os responsáveis pelas fábricas. Centenas de pessoas exigem que estes sejam condenados à morte.

Apesar dos avisos, feitos na véspera do desmoronamento por parte de um dos responsáveis pela construção do prédio, de que o edifício apresentava rachas e era inseguro, os proprietários e os gerentes das fábricas abriram as portas das oficinas como se não houvesse problemas.

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