Nacionalistas flamengos relançam debate sobre independência da Flandres

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O chefe dos nacionalistas flamengos relançou hoje o debate sobre a independência da Flandres, ao declarar que irá insistir na "emancipação" da região neerlandesa da Bélgica, o que suscitou receios de mais uma crise governamental.

Para entrar no governo do liberal francófono Charles Michel em outubro de 2014, a Nova Aliança Flamenga (N-VA), de Bart De Wever, tinha aceitado congelar as suas reivindicações institucionais até 2019.

Este partido nacionalista, que tinha conseguido 32,5% dos votos na Flandres, nas eleições legislativas de maio de 2014, recolhia em setembro o apoio de apenas 27,5%, segundo uma sondagem do diário La Libre Belgique. Ao mesmo tempo, os independentistas de extrema-direita do Vlaams Belang, subiam dos 5,8% de 2014 para 9,7%.

"Várias figuras eminentes do movimento flamengo expressaram-me as suas inquietações quanto ao perfil ideológico do partido", avançou Bart De Wever, hoje, em comunicado.

"Nós respeitamos a nossa palavra (...) de observar um `stop` temporário em matéria comunitária. Mas isso não significa que o movimento flamengo permaneça imóvel", acrescentou.

Bart De Wever, de 45 anos presidente da Câmara de Antuérpia, no norte do país, entregou a dois parlamentares do N-VA, Hendrik Vuyve e Veerle Wouters, a tarefa de "reunir as forças dentro e fora do partido para discutir as próximas etapas da emancipação da Flandres", onde vivem 60% dos 11 milhões de belgas.

"Estamos num governo que decidiu `colocar no frigorífico` o (assunto) comunitário durante cinco anos e isso não está em causa", relativizou um dirigente do partido do primeiro-ministro, citado pela agência noticiosa Belga. "Ninguém ignora que o N-VA é um partido independentista e que vai regressar em 2019 com essas reivindicações", acrescentou esta fonte.

"Charles Michel foi enganado" pelo N-VA, reagiu o seu antecessor Elio Di Rupo, o socialista francófono que está na oposição.

"Bart De Wever deseja mergulhar o nosso país numa nova crise", alertaram por seu turno os centristas francófonos, aludindo aos 541 dias em que a Bélgica esteve sem governo depois das eleições de 2010.

Nas últimas semanas, personalidades próximas do N-VA fizeram declarações que aumentaram a tensão com os francófonos. Uma ministra regional próxima de De Wever, Liesbeth Homans, chegou mesmo a declarar em 06 de janeiro que "espera" que a Bélgica já não exista em 2025.

 

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