Orquestra Northern Lusofonia quer promover compositores portugueses no Reino Unido

por Lusa

Londres, 15 abr (Lusa) - A Orquestra Northern Lusofonia, criada com o objetivo de divulgar música clássica e compositores portugueses no Reino Unido, estreia-se hoje, em Manchester, com três peças inéditas, nunca interpretadas em palcos britânicos.

As três obras portuguesas que se vão estrear no Reino Unido são "Nocturno", de Joly Braga Santos, "Modos de Expressão Ilimitada", de Eurico Carrapatoso, e "Duas Melodias", de Luís de Freitas Branco.

Do programa do concerto, na sala Friends Meeting House Hall, fazem ainda parte peças de dois compositores britânicos - "Serenade", de Edward Elgar, e "Concerto Grosso", de Ralph Vaughan Williams -, e "Oblivion", do argentino Astor Piazzolla.

Esta será a primeira produção da Northern Lusofonia, criada para promover música portuguesa junto do público britânico.

O projeto nasceu no ano passado, mas surge na sequência da "expansão, quase explosão cultural, com impacto na população jovem", verificada em Manchester, nos últimos três a quatro anos, diz o cofundador João Costa.

"Existe muita criatividade, uma grande troca de ideias e muita cultura. É uma cidade que era antes muito industrializada, mas onde há muito por fazer. Por isso, este projeto faz mais sentido no norte, porque Londres já tem muita oferta", afirmou à agência Lusa.

É também, acrescentou, fruto de "uma comunidade portuguesa em crescimento e mais ativa, pelo que há o desejo de unir as pessoas à volta de uma cultura [portuguesa] de qualidade".

Além de João Costa, pianista a frequentar um mestrado, são cofundadores da orquestra Miguel Teixeira, que tem formação em guitarra, mas fez mestrado em composição, em Manchester, e o maestro hispano-húngaro Edmon Levon.

O concerto de sexta-feira será de uma orquestra de cordas de 24 elementos, composta por jovens estudantes (de de violino, viola, violoncelo e contrabaixo) do Royal Northern College of Music, a maioria com um percurso já profissional.

Desta vez, nenhum é português, mas, para o segundo concerto, em junho, está previsto incluir um violinista e um percussionista portugueses, na orquestra.

Para esta primeira apresentação, começaram por escolher Eurico Carrapatoso, por ser um compositor português "moderno e contemporâneo" e ter várias obras para instrumentos de cordas, inéditas no Reino Unido.

As restantes peças selecionadas, todas de compositores que atravessaram o século XX, destinam-se a "tornar o programa coerente, em termos de estilo e qualidade".

Segundo João Costa, com o projeto da Orquestra Northern Lusofonia, os músicos têm por objetivo realizar seis concertos por ano, criar um coro e formar um quarteto de cordas, que possa fazer digressões a regiões menos privilegiadas em termos culturas.

Para o início de junho está previsto um concerto "em que terá lugar uma estreia mundial de uma peça portuguesa e outra estreia no Reino Unido", existindo ainda a ambição de, no futuro, abrir o programa a compositores lusófonos e não só portugueses.

Além de não ter fins lucrativos, a Northern Lusofonia promete doar dez por cento das receitas para causas de solidariedade.

Tópicos