Pedida a expulsão de Blair do Partido Trabalhista por crimes de guerra

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Manifestante caricaturando Tony Blair
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Na sequência do relatório Chilcot sobre a invasão do Iraque, está a correr um abaixo-assinado visando fazer expulsar do Labour o ex-primeiro-ministro Tony Blair. Outras petições pedem o seu julgamento por crimes de guerra.

A investigação realizada sob a direcção de Sir John Chilcot demorou sete anos e finalmente chegou apenas a conclusões timoratas, como a de serem duvidosos os fundamentos "legais" para invadir o Iraque ou como a de ser frágil a informação sobre armas de destruição massiva em que se baseou a decisão de invadir.

Reagindo a essas conclusões, famílias dos 179 militares britânicos mortos no Iraque apelaram à responsabilização criminal de Blair. O antigo primeiro ministro escocês Alex Salmond sugeriu que fosse aberta uma investigação do Tribunal Penal Internacional pelo crime de agressão, bem como uma iniciativa parlamentar para impedir Tony Blair de voltar a ocupar qualquer cargo público.

Várias petições circulam já com vista à responsabilização política e criminal de Blair no seu papel como primeiro-ministro de uma das duas principais potências invasoras.

Petições em circulação

  • “Enact a law making deception and lying by politicians a criminal offence”
  • “Arrest Tony Blair for War Crimes”
  • “Call for Tony Blair to be prosecuted or war crimes”
Porém, de todas as petições anti-blairianas em circulação desde há dois dias, a que tem tido mais impacto é a dos membros do Partido Trabalhista pedindo que ele seja expulso. Esta, intitulada “Expel Tony Blair from the Labour Party”, está neste momento muito próxima de atingir as 25.000 assinaturas necessárias para abrir um processo de expulsão.

Ela baseia-se na afirmação de que o então líder trabalhista e primeiro-ministro comprometeu o bom nome do partido ao arrastar o país para uma guerra de agressão, pretextando uma falsidade grosseira como a das armas de destruição massiva.

Por seu lado, o dirigente trabalhista Jeremy Corbyn reagiu à divulgação do relatório apresentando em nome do partido públicas desculpas pela decisão de invadir o Iraque. Segundo Corbyn, "a decisão de ir para a guerra no Iraque foi uma nódoa para o nosso partido e o nosso país".

A feroz luta interna no Partido Trabalhista tem sido mediada em parte por procedimentos disciplinares. Várias figuras destacadas e militantes de base do partido têm sofrido medidas desde a suspensão à expulsão por alegadas afirmações antisemitas. É sobretudo a ala direita que tem pressionado por essas medidas, sempre criticando Corbyn por se ficar pelas meias tintas e por não ir mais longe no disciplinamento dos seus próprios apoiantes.

Entretanto, foi lançada uma campanha contra o próprio Corbyn, pedindo a sua demissão por não ter conseguido impedir a vitória do "Brexit" no referendo britânico. A oposição interna deixou portanto de atacá-lo de flanco e passou a fazê-lo de frente.

A petição visando expulsar Blair deve portanto ser vista como uma resposta do corbynistas, que utilizam agora contra a direita a arma de dois gumes das medidas disciplinares e os precedentes que a própria direita esteve criando nos últimos meses.

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