Pobres em França cada vez mais pobres

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Um sem abrigo dorme numa estação do Metro parisiense sob um cartaz da Secours Catholique
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São 14% da população francesa. Têm rendimentos de, no máximo, 950 euros por indivíduo e de 2.000 euros por casal com dois filhos e vivem por isso abaixo do limiar de pobreza francês. Em França, este nível de rendimentos implica um sem número de dificuldades de sobrevivência, sobretudo se, como sucedeu na última década, os preços dos alugueres de casa, mesmo social, ou de bens como água e a eletricidade, o gás ou combustíveis aumentaram no mínimo 21%, 38% e 48%, respetivamente.

Os números são publicados no mais recente relatório da Secours Catholique, a organização da Caritas Internacional em França.

A organização não contabilizou tanto uma grande variação no número de pobres mas sim uma mudança preocupante das suas características de grupo e um endurecimento das dificuldades que enfrentam.

A razão apresentada para o novo quadro é simples: a "inegável degradação do mercado de trabalho tornou ainda mais hipotética a saída da precariedade para as famílias em dificuldade", afirma o relatório.Em 10 anos, o número de pessoas acolhidas pelos centros do Secours Catholique em França não registou grande variação . Em 2001 foram encontradas 595.300 situações de pobreza envolvendo 1.387.000 pessoas. Em 2011 a organização envolveu 585.500 situações de dificuldade ou cerca de 1.422.000 pessoas auxiliadas entre as quais 668 000 crianças. Entre 2008 e 2010 registou-se apenas uma ligeira alta.

Numa década, aumentou o número de famílias pobres, sobretudo monoparentais, de mulheres a viver situações precárias e de desempregados de longa duração. A pobreza é também cada vez mais instalada, cada vez mais difícil de erradicar.

A nova pobreza dos franceses tem também um rosto típico: mulher, nova com um ou mais filhos, pouco qualificada ou com pouca experiência, cada vez mais impossibilitada de aceder a um emprego, ou mais velha e despedida após vários anos de trabalho.



De acordo com a Secours, em 2011 em 65% das famílias a situação de pobreza já não se deve a uma dificuldade familiar passageira, como um divórcio, uma doença ou um desemprego provisório, a situação habitual há 10 anos.

Agora, a organização encontra uma deficiência crónica de recursos que impede as famílias de fazer face aos seus encargos e as faz permanecer na pobreza. O emprego, a casa e a energia são cada vez mais inacessíveis aos precarizados, consideram os autores do relatório.

Entre 2001 e 2011, os alugueres dos lares das famílias analisadas aumentaram 21% nas casas sociais e 26% nas casas privadas.
Em 10 anos, o número de famílias acolhidas pela Secours subiu dos 47% em 2001 para os 53% em 2011, graças ao aumento das famílias monoparentais e à feminização das situações encontradas. Dos adultos encontrados em dificuldades 57% são mulheres, quando em 2001 eram 50%.
A taxa de desemprego entre as pessoas adultas acolhidas pela Secours aumentou também de 58% para 66%. Em 2001 quase um quarto dos adultos encontrados tinham um emprego. Em 2011 eram apenas 18%.

Além disso preço da água subiu 38% (mais 19 pontos do que a inflação) numa década, tal como o da eletricidade, do gás e de outros combustíveis que aumentaram 48% no mesmo período (mais 29 pontos do que a inflação).

Resultado, 60% das famílias declaram-se sem rendimentos o que gera um aumento do recurso ao trabalho sem recibo.

A única solução seria a revisão dos apoios sociais e o aumento dos salários auferidos, afirma a Secours.

Outro dado preocupante é a situação dos estrangeiros/imigrantes, cerca de um terço (30%) das situações de pobreza identificadas pela organização francesa e a qual piorou consideravelmente.

São cada vez mais famílias, sobretudo casais com filhos. Os estrangeiros acolhidos pela Secours Catholique são quase todos pobres (98%) em termos financeiros dos quais 86% vivem em grande pobreza, ou seja, têm um nível de vida inferior em 40% ao nível de vida médio em França.

Estes "pobres entre os pobres" aumentaram cerca de 20% na última década e são atualmente cerca de dois milhões de pessoas.

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