Polícia mexicana liberta filho de "El Chapo" após violento tiroteio

por RTP
Um autocarro em chamas durante os confrontos dos homens do Cartel de Sinaloa com as forças policiais Jesus Bustamante - Reuters

A polícia mexicana deteve, esta quinta-feira, Ovidio Guzmán, filho do famoso barão da droga "El Chapo". No entanto, a detenção não durou muito tempo. Um grupo de homens armados abriu fogo contra os agentes policiais no momento da detenção, forçando-os a libertar Guzmán.

Segundo explica o ministro da Segurança, Alfonso Durazo, a Guarda Nacional entrou numa casa na cidade de Culiacán, a noroeste da Cidade do México, durante uma patrulha, onde se encontravam quatro homens, entre eles Ovidio Guzmán, um dos filhos de El Chapo, acusado de tráfico de droga nos Estados Unidos.

A patrulha foi surpreendida com um intenso disparo de tiros por homens do Cartel de Sinaloa.De acordo com a Reuters, o número de homicídios atingirá um valor recorde este ano no México.

A polícia mexicana foi obrigada a abandonar o local sem Guzmán “para evitar mais violência e preservar as vidas dos nossos homens, e para restabelecer a calma na cidade”, conforme esclareceu o ministro da Segurança à agência Reuters.

O analista do International Crisis Group no México, Falko Ernst, considera que a libertação de Ovidio Guzmán estabeleceu um “precedente perigoso” e passou a mensagem de que o Estado mexicano, nomeadamente o exército, não têm o controlo do país e podem ser chantageados.

O cartel de Sinaloa é conhecido por ser o maior fornecedor de droga para os EUA. “El Chapo” foi o dirigente do cartel durante várias décadas, acreditando-se que, depois de ter sido detido, tenha sido Ovidio Guzmán a assumir a liderança.
Cenário de violência
A detenção do filho de “El Chapo não foi bem recebida na cidade de Culiacán, provocando um nível de violência raramente visto no México, nem mesmo quando “El Chapo” foi condenado.

Homens fortemente armados invadiram a cidade, entraram em confronto com os agentes policiais, queimaram carros, incitando um clima de violência que se prolongou durante a noite.


No meio deste cenário de caos, um grupo de reclusos conseguiu escapar da prisão de Culiacán, duas pessoas morreram e 21 ficaram feridas.

Imagens partilhadas nas redes sociais mostram homens armados em cima de carros a patrulhar as ruas da cidade e momentos de terror com um intenso som de disparos como fundo.


Os habitantes de Culiancán descrevem o cenário como um ambiente de pânico. Muitos refugiram-se em lojas e supermercados e aqueles que foram surpreendidos com disparos nas estradas saíram dos carros e deitaram-se no chão para escapar às balas.

A guerra nas ruas da cidade mexicana decorre dias depois do massacre de mais de uma dezena de polícias na zona ocidental do México. Um dia depois, 14 suspeitos por este crime foram mortos pelo exército.

O caos que se vive em Culiancán é mais uma prova de fogo para o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que assumiu o cargo em dezembro com a promessa de restaurar a paz no país que há mais de uma década combate o narcotráfico.

Em julho, Joaquin Guzmán, mais conhecido por “El Chapo”, foi condenado a prisão perpétua por um tribunal norte-americano. O Ministério Público pediu ao juiz federal que fossem acrescidos 30 anos à pena como forma simbólica.

c/agências
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