The Guardian obrigado a destruir ficheiros divulgados por Snowden

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Este é o estado em que ficaram as motherboards dos computadores destruídos pelo The Guardian
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O jornal britânico The Guardian foi obrigado a destruir os computadores onde tinha guardado cópias dos documentos secretos da National Security Agency dos EUA, revelados por Edward Snowden. A operação teve lugar na cave do jornal no passado dia 20 de julho e contou com a presença de um editor e de um informático do jornal, para além de representantes do Governo, que tiraram notas e fotografias de todo o processo.

A decisão de destruição dos ficheiros aconteceu depois de o Governo britânico ter expressamente avisado o jornal de que essa seria a única alternativa à apreensão de todo o material relacionado com o caso Snowden. Perante a ameaça do Governo, os responsáveis do The Guardian decidiram destruir todas as cópias que possuíam dos documentos.

Segundo conta o jornal, a destruição aconteceu apesar de o diretor Alan Rusbridger ter informado o Governo britânico de que existiriam outras cópias dos ficheiros fora do país e que o jornal não era o único a possuir tais documentos. Apesar disso, o Governo britânico insitiu que o material deveria ser entregue ou destruído de imediato, o que acontceu na presença de funcionários do Government Communications Headquarters (GCHQ).

Esta semana, ainda antes de se conhecer este episódio inédito na história da liberdade de imprensa no Reino Unido, o governo britânico já tinha tomado uma outra iniciativa para pressionar os jornalistas que escrevem ou escreveram sobre este caso: deteve, durante nove horas e ao abrigo da lei anti-terrorista, David Miranda, o companheiro do jornalista Glenn Greenwald, que tem liderado a investigação sobre este assunto no The Guardian.

Depois de já se ter distanciado da detenção de Miranda, o Governo norte-americano mostrou-se estupefacto com a decisão de destruição dos computadores exigida pelos britânicos. No normal encontro de ontem com os jornalistas na Casa Branca, o porta-voz da administração Obama, Josh Earnest, foi questionado sobre se uma situação idêntica poderia acontecer nos Estados Unidos. "É muito difícil imaginar um cénario onde essa decisão fosse apropriada", respondeu Earnest.

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