Vítimas de abusos sexuais opõem-se à canonização de João Paulo II

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O papa Francisco encontra-se sob pressão para suspender o processo de canonização de João Paulo II
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Pela primeira vez, um organismo da ONU interpelou o Vaticano sobre os abusos sexuais de menores, pediu-lhe informação detalhada sobre os casos conhecidos e deu-lhe um prazo para responder. No México, organizações de vítimas apelaram ao papa Francisco para suspender a canonização de João Paulo II, considerado conivente com o encobrimento dos casos.

A notícia, publicada no diário espanhol El Pais, baseia-se nos depoimentos de activistas mexicanos, um dos quais renunciou ao sacerdócio por considerar que a Igreja fugia a esclarecer os casos de abuso sexual de menores e que evitava responsabilizar os culpados.

O ex-padre citado, Alberto Athié, apelou ao papa para que tratasse de prestar os esclarecimentos pedidos pelo Comité da ONU para os Direitos das Crianças, dentro do prazo pedido por este para as respostas - 1 de novembro. Segundo Athié, "o papa tem a oportunidade histórica e única de entregar toda a documentação e de demostranrar que não aceita que isto continue a suceder".

Por seu lado, o director da Rede de Sobreviventes de Abusos do Clero, Joaquín Aguilar, precisou que, em sua opinião, o papa deve "procurar a maneira de retirar estes delitos do âmbito eclesiástico, para que sejam julgados".

Sobre o papel desempenhado pelo papa polaco, Aguilar sublinhou que "João Paulo II soube dos casos e nunca quis fazer nada, preferiu não mexer nem um dedo". E recomendou: "Deveriam parar o processo de canonização até a ONU se pronunciar. Se fizerem dele um santo e algum dia o seu nome aparecer relacionado com algum caso de abuso, isso vai prejudicar muito a Igreja".

Um outro sacerdote, o padre Solalinde, membro de uma organização de auxílio aos emigrantes centro-americanos que entram clandestinamente nos EUA, manifesta expectativas em que o papa Francisco proceda diferentemente dos seus antecessores: "Ratzinger foi o último monarca da Igreja. O para Francisco é um papa pastor, que quer voltar à visão original da igreja".

Sobre a canonização de João Paulo II, Solalinde levanta uma objecção diversa: "Entristece-me que falem de santidade masculina quando falam de santidade. Noventa por cento dos santos reconhecidos são homens, ao passo que são as mulheres que têm mais santidade na Igreja".

Tópicos:

João Paulo II, abuso, papa, pedofilia, Francisco,

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