ASFIC vê futuro "muito negro" para as operações da PJ

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ASFIC vê futuro muito negro para as operações da PJ

Os funcionários de investigação criminal contestam os cortes previstos no orçamento do Estado para 2014.

São cortes brutais, explica Carlos Garcia, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ). Para Carlos Garcia os cortes previstos no orçamento para a PJ põem em causa a eficácia e operacionalidade daquela polícia.

"Este orçamento põe em causa a eficácia da PJ. A concretizarem-se os cortes previstos neste orçamento -- 60% em tudo o que é bens e serviços e 76% só para o combustível -- não será possível à PJ dar uma resposta capaz naquilo que é a sua missão", disse à agência Lusa o presidente da ASFIC.

Carlos Garcia reagia assim aos cortes na PJ previstos no Orçamento do Estado para 2014, destacados hoje no Jornal de Notícias, e que dão conta de uma redução de 76% no valor gasto com combustíveis, 100% nas munições e uma redução e 82% em material de escritório para a PJ.

De acordo com o sindicalista, os cortes nos combustíveis e nos bens e serviços impedem a PJ de trabalhar.

"Temos um orçamento de 2013 deficitário. Este ano já estávamos a sentir dificuldades com falta de 'tonners', avaria nas impressoras, temos um parque automóvel velho e degradado. São tudo condições que têm vindo a ser agravadas. Com estes cortes, o futuro da PJ é muito negro", sublinhou.

No que diz respeito ao corte de 100% nas munições, o presidente da ASFIC disse que o problema poderá surgir em 2015, não este ano.

"O problema poderá pôr-se em 2015, deduzo que existem 'stocks' em 2014. As munições poderão ser suficientes, mas sempre digo que vamos ver se não vai haver um corte naquilo que é instrução e manutenção periódica de tiro que tem de se ir fazendo de forma a que o 'stock' chegue até ao fim do ano", disse.

Carlos Garcia adiantou ainda que a ASFIC tem em curso "uma luta" de reconhecimento por um estatuto profissional adequado à lei, pela dignificação das condições de trabalho, por uma regulamentação do próprio modelo de trabalho e pelo pagamento justo do trabalho suplementar.