Associação de Amigos da Serra da Estrela contesta redução da área do Parque Natural

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A Associação dos Amigos da Serra da Estrela (ASE) contestou hoje a proposta do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) de reduzir a área do Parque Natural, que considera um incentivo à "pressão imobiliária".

O ICN quer reduzir em 12 mil hectares, correspondente a 11 por cento, o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), actualmente constituído por 101.060 hectares que abrangem os concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Covilhã, Seia, Gouveia e Manteigas.

"A partir do momento em que essas áreas saiam do parque, a pressão imobiliária vai ser maior", disse à agência Lusa José Maria Saraiva, o vice-presidente da ASE, que tem sede em Manteigas.

"Não acreditamos que haja necessidade de maior expansão urbana", que justifique a alteração dos limites do parque, referiu.

No entender da ASE, "os parques naturais não devem diminuir mas aumentar a sua área e devem ser criados estatutos diferenciados para as várias zonas".

"Ao criar zonas tampão está a preservar-se o interior do parque, mas o que vemos é que estão a abandonar zonas que não conseguiram preservar e qualquer dia não temos parque natural", apontou.

O mesmo dirigente também defende que os agricultores que estão integrados nas áreas protegidas "deviam ter a vida facilitada".

"A legislação devia ser mais flexível, porque se um agricultor quiser fazer uma ampliação de um edifício, passa por milhentos problemas, quando em nosso entender devia ser mais apoiado".

"O agricultor é fundamental na preservação da paisagem e dos fogos florestais e sempre que abandonam as áreas protegidas, esses valores desaparecem", considerou o vice-presidente da ASE.

A associação ambientalista Quercus também contestou a proposta do ICN de reduzir em onze por cento a área do PNSE, sugerindo a existência de interesses imobiliários nesta medida.

"Tememos que, por trás dessa intenção, existam razões ligadas a interesses imobiliários ou ao desenvolvimento de projectos turísticos", disse à agência Lusa Hélder Spínola, presidente da associação.

A actual dimensão do PNSE tem sido criticada por alguns autarcas, nomeadamente pelo presidente da Câmara Municipal de Seia, o socialista Eduardo Brito, que em declarações à agência Lusa se queixou do chumbo pelo ICN, no final do ano passado, de quatro projectos de investimento para unidades hoteleiras na região.

Segundo explicou à Lusa o director do PNSE, Fernando Matos, o objectivo da proposta do ICN é fazer coincidir os limites do Parque Natural com os do Sítio Serra da Estrela, integrado na Rede Natura 2000, de forma a tornar mais eficaz a gestão do território abrangido.

Por outro lado, adiantou o responsável, existem zonas cuja inclusão na área protegida já não se justifica, dada a sua "degradação e ausência de valores naturais assinaláveis".

No entanto, para a Quercus, "a redução de uma área protegida não é um bom sinal", até porque um parque natural não pode apenas integrar zonas onde se encontram os "habitats" mais ameaçados, mas também outras que "sirvam de tampão aos impactos negativos de certas actividades desenvolvidas fora dos seus limites".

A proposta do ICN esteve em discussão pública entre 12 de Maio e 26 de Junho, cabendo agora à Secretaria de Estado do Ambiente a decisão final sobre esta matéria, disse à Lusa o director do PNSE.

O presidente da Câmara Municipal de Gouveia, o social- democrata Álvaro Amaro, disse à Lusa estar "satisfeito" com a redução da área do parque.

"A área que envolve o PNSE é demasiado grande e por isso, contempla espaços sem qualquer riqueza ambiental", justificou.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, o socialista Joaquim Valente, embora concordando com a redução da área protegida, salienta a importância desta para "o turismo e o equilíbrio ecológico da região".

"O parque será sempre uma mais-valia, é um património natural riquíssimo que deve ser preservado", acrescentou.

Mesmo que a redução se concretize, o Parque Natural da Serra da Estrela, que foi classificado no dia 16 de Julho de 1976, continua a ser o maior do país.


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