Averiguada morte por enfarte após impasse na assistência médica

| País

Tinham passado quase duas horas desde o primeiro contacto para o Instituto Nacional de Emergência Médica quando foi acionado um helicóptero
|

A Administração Regional de Saúde do Norte está a averiguar as circunstâncias que rodearam a morte de uma mulher por ataque cardíaco, em Chaves, depois de uma alegada demora na assistência médica. O Hospital de Chaves recusou a emergência porque está sem serviço de cardiologia desde o início do ano. No Hospital de Vila Real, a unidade de referência da região, o atendimento também começou por ser negado, com o argumento de que não havia vaga. Quando esta unidade aceitou a doente, era já demasiado tarde. O caso foi ontem revelado pela Antena 1.

A ARS do Norte pode tomar posição ainda esta quarta-feira sobre o caso ocorrido no passado fim de semana em Chaves. No sábado, cerca das 19h00, uma mulher de 79 anos sentiu-se mal numa rua do Centro Histórico da cidade. Com sintomas de um ataque cardíaco, foi inicialmente referenciada para o Hospital de Chaves. Que recusou a emergência por não dispor de serviço de cardiologia, segundo relatou um funcionário hospitalar à jornalista Eduarda Freitas.

“Sete, sete e pouco, foi dada a urgência no Hospital. O INEM foi buscar a senhora por essa hora. Depois o médico ligou para o INEM e disseram para ir para Vila Real, porque Chaves não tinha cardiologia. Segundo sei, estava a ter um enfarte e muito grande. Então o INEM ligou para Vila Real e Vila Real disse que não aceitava a doente, visto que não tinha vagas”, adiantou a fonte hospitalar, que só aceitou falar a coberto do anonimato.

A vítima foi então transportada para o Hospital de Chaves, onde ficou claro que se tratava de um enfarte grave. A médica que fez a observação, contou a fonte da rádio pública, “ligou para Vila Real a dizer que a senhora tinha de ir urgentemente para Vila Real e que tinham de lhe arranjar vaga”.

“Foi chamado o INEM, veio o helicóptero. E quando o helicóptero chegou a senhora já tinha falecido”, afirmou o funcionário hospitalar. Tinham decorrido quase duas horas desde o primeiro alerta para o Instituto Nacional de Emergência Médica.
“Revolta”
O Hospital de Chaves integra o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, que tem a denominada Via Verde Coronária. Contactada pela repórter da rádio pública, a administração do Centro Hospitalar disse apenas que foi aberto um inquérito de averiguação, escusando-se a prestar mais esclarecimentos.

O funcionário hospitalar que revelou o caso à Antena 1 deu conta de um “sentimento de revolta” na unidade de Chaves: “Houve quem dissesse que não se admitia, que era um crime”.

Já o presidente da Câmara Municipal de Chaves, João Batista, considera que devem ser assacadas responsabilidades a quem optou pelo encerramento do serviço de cardiologia no Hospital da cidade.

“Os responsáveis pelos serviços de saúde e sobretudo os responsáveis pela decisão que levou a que isto pudesse acontecer julgo eu que devem, naturalmente, assumir, passe a redundância, as suas responsabilidades numa situação destas. Porque foram alertados. É evidente que quando se toma uma decisão se deve precaver as consequências possíveis dessa decisão. Infelizmente, verificámos a razão dos protestos e das posições que foram tomadas no sentido de que a unidade de Chaves possa responder em situações desta natureza e desta urgência”, reagiu o autarca.

Também ouvido pela Antena 1, o presidente da Associação Portuguesa de Cardiologia de Intervenção, Hélder Pereira, evitou alargar-se em comentários sobre o caso de Chaves. Todavia, assinalou que “não é comum” a recusa de doentes com quadros de enfarte por falta de vagas. E sublinhou que o INEM “tem o telefone dos cardiologistas todos desta rede hospitalar”, podendo contactar “diretamente o cardiologista” e “transmitir diretamente o eletrocardiograma”.

“No enfarte, todos os minutos contam. Se o Hospital de Vila Real não estava em condições de oferecer a angioplastia, possivelmente as pessoas discutiram a melhor forma de administrar, por exemplo, um fármaco”, admitiu.

Tópicos:

ARS, Alto Douro, Antena 1, Centro Hospitalar, Chaves, Enfarte, Hospital, INEM, Norte, Trás-os-Montes, Vila Real,

A informação mais vista

+ Em Foco

Uma sondagem da Universidade Católica aponta para o fim da hegemonia laranja na Madeira, apesar da vitória do PSD nas regionais (38%) do próximo domingo.

Na semana em que se assinala o início da II Guerra Mundial, a RTP conta histórias de portugueses envolvidos diretamente no conflito.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.