Bancos alimentares não receberam frutas e legumes nos primeiros meses do ano

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Os Bancos Alimentares Contra a Fome deixaram de receber doações de frutas e legumes dos agricultores nos primeiros quatro meses do ano, uma situação que está a preocupar a presidente da instituição.

Isabel Jonet disse hoje à agência Lusa que existe um programa comunitário que incentiva os agricultores a doarem os seus excedentes de produção de hortofrutícolas às instituições de solidariedade, nomeadamente aos bancos alimentares.

Contudo, nos primeiros meses do ano "não houve qualquer fruta e legumes retirados porque, provavelmente, o ano agrícola foi menos bom ou porque alguma coisa funcionou menos bem no gabinete de planeamento do Ministério da Agricultura e os produtores não tiveram o incentivo para doar em vez de destruir", explicou.

As frutas e os legumes foram a "única fonte de abastecimento que registou um decréscimo" nos bancos alimentares, disse Isabel Jonet, que falava à Lusa a propósito da campanha de recolha de alimentos que os Bancos Alimentares Contra a Fome (BACF) vão realizar no próximo fim de semana.

A presidente da Federação Portuguesa dos BACF lembrou que "muitos dos alimentos que os bancos alimentares aproveitam ao longo do ano iriam ser destruídos", sendo necessário "ter em consideração que a alternativa à destruição é uma alternativa muito importante".

"O que é um facto é que as próprias empresas contraíram a sua produção e têm menos excedentes", salientou Isabel Jonet, alertando para outra situação: o fim do programa comunitário de apoio alimentar a carenciados no final do ano.

Para 2014 ainda não há nenhum substituto deste programa comunitário, adiantou.

Segundo Isabel Jonet, alguns países europeus "já têm programas transitórios, enquanto se espera pelo regulamento da Comissão Europeia, mas Portugal ainda não anunciou nenhum programa transitório".

"Estou realmente preocupada", porque são muitas toneladas de alimentos, disse, considerando que "tem de haver uma grande mobilização da sociedade portuguesa e as instituições têm de continuar a assegurar o seu trabalho, que tem sido a almofada de segurança da sociedade portuguesa".

A agência Lusa contactou o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, que remeteu o assunto para o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, que até ao momento ainda não respondeu à Lusa.

O Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC) é uma ação anualmente promovida pela Comissão Europeia e que adota um plano de atribuição de recursos aos Estados-Membros para o fornecimento e distribuição de alimentos. Os 20 bancos alimentares apoiam diariamente 2.221 instituições de solidariedade social em todo o país, que ajudam 378 mil pessoas.

Perto de dois milhões de pessoas vivem em Portugal em situação de pobreza, das quais cerca de 160.000 não tinham, em 2012, capacidade financeira para uma refeição de carne ou peixe, pelo menos de dois em dois dias, segundo dados da Federação Portuguesa dos BACF.

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