Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho em "falência iminente" lançam campanha de angariação de fundos

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Os Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho estão em situação de "falência iminente", sem dinheiro para pagar ordenados aos 17 funcionários, comprar combustíveis ou equipamentos, alertou o presidente da direção, que lançou hoje uma campanha de angariação de fundos.

A associação humanitária, que se debate com uma dívida de cerca de 200 mil euros, herdada de anteriores direções, admite que a situação é "insustentável" e poderá levar ao fim da ajuda e socorro às populações.

"A nossa prioridade [de pagamento] são os funcionários. Todo o dinheiro que recebemos [de receitas fixas mensais, estimadas em cerca de 10 mil euros] vai para as pessoas", disse à agência Lusa Manuel Girão, presidente dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho.

Os 17 funcionários - oito adstritos ao posto do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que funciona na corporação, três ao transporte de doentes, quatro na central de socorro, um administrativo e uma empregada de limpeza - possuem ordenados em atraso e, admite Manuel Girão, há "várias pessoas", incluindo alguns casais que prestam serviço na associação, "em desespero".

Embora afirme desconhecer situações em que os funcionários "passem fome", o responsável diretivo assume que o valor necessário para pagar ordenados mensalmente atinge os 16 mil euros e as receitas fixas dos Bombeiros ficam-se pelos 10 mil.

"Ainda hoje recebemos a verba da ANPC e vamos pagar 230 euros a cada um de todo o dinheiro que chegou", frisou Manuel Girão, explicando que os funcionários têm em falta pagamentos desde junho e subsídios em atraso de 2011.

Bombeiro durante 30 anos, Manuel Girão foi empossado no cargo em finais de 2011 e advoga como "prioridade", uma "política de verdade" na direção da associação humanitária.

"Não assumo despesas que não possa pagar, contração de dívida, zero. Não temos sustentabilidade financeira, por isso estamos em falência iminente, porque em falência técnica já estamos há muito tempo", lamentou.

Este ano propôs à autarquia de Montemor-o-Velho a instituição de uma Taxa Municipal de Proteção Civil - 1,5 euros por contador de água - a reverter para os bombeiros mas a medida foi chumbada.

"Aveiro tem duas corporações, aprovou uma taxa de 0,8 euros e arrecada 700 mil euros por ano, são 350 mil para cada corporação", argumentou.

Em Montemor-o-Velho, de acordo com Manuel Girão, a proposta resultaria num apoio de 15 mil euros mensais (180 mil anuais), sensivelmente o valor despendido com os funcionários dos bombeiros.

"A Taxa Municipal de Proteção Civil é a única solução para os bombeiros de Montemor-o-Velho e não só", insistiu.

Ouvido pela Lusa, António Simões, presidente da Federação de Bombeiros de Coimbra, frisou que esta entidade tem "acompanhado" o caso de Montemor-o-Velho, aludindo a uma "situação interna" cuja resolução "não é fácil" entre a autarquia e a corporação.

"Por muito que se acompanhe temos de ter alguma contenção. Mas vão ter de chegar a acordo, estão condenados a entenderem-se", frisou.

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