Casa Bento XVI já autonomizou 12 mulheres vítimas de violência doméstica

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Com quase dois anos de existência, a Casa Bento XVI, lar de acolhimento no Porto de mulheres vítimas de violência doméstica, já serviu de processo de autonomização a 12 agregados familiares, revelou à Lusa a sua diretora.

Nascida da vontade do provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, de homenagear o papa Bento XVI pelo seu papel simbólico em torno das questões sociais, a casa surge como a última fase de autonomização das mulheres que a procuram e que "nela podem permanecer num período entre os 120 e os 150 dias", explicou Isabel Louçano.

Desenvolvida num conceito que apenas prevê ser habitada por "alguém que tenha alguma responsabilidade e um projeto de vida bem definido", as mulheres surgem ora da Casa de Santo António ora da casa abrigo da Cruz Vermelha, a segunda mercê de um protocolo.

"A Misericórdia tem uma experiência na área da violência doméstica com a Casa de Santo António, casa abrigo destinada a mulheres vítimas desse fenómeno e, de vez em quando, sentimos problemas no que toca à sua autonomização, pois há cada vez mais dificuldades na procura de casa, em poder pagar um valor do mercado", explicou Isabel Louçano.

Para o que considera ser "um quase desmame institucional", apenas são aceites aquelas que reúnam condições para avançar para o regresso à vida no exterior, abrindo as portas para "uma pré-autonomização, importante para elas terem um contacto com a realidade, depois de tanta proteção", sublinhou.

Numa casa herdada pela Misericórdia do Porto, as residentes, "além de terem de pagar um valor de renda que corresponde a 25 por cento do seu salário", disse a responsável, "têm ainda a seu cargo toda a gestão e higiene da habitação".

"Temos capacidade para oito pessoas, mas podem até só ser três, já que no mesmo quarto não há mais do que um agregado familiar. Tentámos sempre que a mãe partilhe o espaço com os filhos. Depois há os espaços comuns, a cozinha e a sala, que são de todos", acrescentou.

Dado que as mulheres "já chegam preparadas para as responsabilidades", a intervenção da equipa técnica "é mínima" e o facto de todas as que a habitam "já terem um emprego, um rendimento, facilitou a sua autonomia completa dentro dos prazos previstos", salientou Isabel Louçano.

Leiria, Lisboa (uma cidadã iraquiana e outra senegalesa), região do Porto, Coimbra, Sintra, Celorico de Basto são algumas das proveniências das mulheres que na Casa Bento XVI dão o último passo antes de voltarem a ter uma vida autónoma, num total de 12 agregados familiares que já por lá passaram.

"Raras são as que residiam no Porto, mas quase todas ficaram depois a trabalhar e a viver na região", desvendou a responsável, que enumerou como proibição única na casa "receber visitas".

António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto mostrou-se satisfeito "pelo desenrolar do projeto nos dois anos que este leva de existência" e revelou que será uma aposta "para levar avante".

"Queremos reunir os meios para dar outras respostas e, através disso, melhores condições de vida a quem temporariamente precisa de nós", concluiu aquele responsável.

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