Cemitério com sepulturas à americana inaugurado em Abrantes

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O novo Cemitério de Santa Catarina, contruído há quase três anos ao estilo americano nas vizinhanças da Mata de S. Lourenço, foi hoje estreado em Abrantes "por vontade expressa do falecido enquanto vivo".

Construído em 2005, este cemitério com sepulturas à americana mais parece um enorme jardim relvado onde não pode haver jazigos, cruzes, flores ou outros ornamentos, o que gerou alguma controvérsia na cidade e fez adiar a sua entrada em funcionamento.

Residente em Chainça, António Rosa, 70 anos, fez questão de transmitir aos seus filhos e mulher que, quando chegasse a sua hora, queria ir para o tão falado Cemitério de Santa Catarina o que veio hoje a acontecer.

"Foi por vontade expressa do falecido, que transmitiu em devido tempo a sua vontade à família", disse hoje, à Agência Lusa, João Carlos Costa, vice-presidente da Câmara.

Segundo o autarca, "por tradição, as pessoas iam para os cemitérios mais antigos da cidade que já estavam no limite de capacidade há muito tempo".

"Com esta vontade expressa pelo falecido, estreámos o novo cemitério quase três anos depois de construído mas com a vantagem de não ser necessário forçar as coisas", disse.

Com base em novas formas de inumação, os covais são feitos em betão com uma drenagem que permite a exumação ao fim de um período de três a cinco anos.

Neste novo cemitério, as sepulturas são seladas, revestidas por uma camada de terra vegetal e cobertura de relva.

Todas as lápides vão ter o mesmo formato, logo o mesmo tamanho, mudando apenas o texto de identificação.

Não haverá qualquer relevo na sepultura e não será permitido qualquer revestimento ou adorno, como jarras e flores.

"À primeira vista, estranhamos mas temos de nos modernizar", disse à Lusa Maria Alice, 57 anos.

"Antigamente, já era assim e ninguém deixou de adorar os seus antepassados".

Mas para esta residente em Abrantes, apesar de toda a vontade de mudança, há ainda um certo receio em enfrentar a situação de não poder comprar o espaço.

"Reconheço que quando a situação bate à nossa porta o caso muda de figura, toca no sentimento", disse.

Para Santa Catarina, está ainda projectada uma capela e um crematório que, a funcionar, serviria toda a região.

Segundo disse à Lusa Nelson de Carvalho, presidente da Câmara, "os custos e a manutenção são elevados pelo que não será comportável a sua construção pensando apenas em serviços pontuais".

João Carlos Costa disse hoje à Lusa que, durante o funeral, "muitas pessoas se mostraram interessadas no formato e pediram mais informações".

"Por ser o primeiro" a entrar no Cemitério de Santa Catarina "a Câmara de Abrantes ofereceu a pedra tumular" de António Rosa, disse o edil.

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