Comissão de Trabalhadores da RTP classifica entrevista do presidente como terrorismo

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O porta-voz da comissão de trabalhadores da RTP considerou hoje a entrevista dada na quarta-feira pelo presidente da empresa como "uma atitude de terrorismo empresarial" e exigiu conhecer o projeto pensado para a reestruturação da estação pública.

"A entrevista pareceu-me mais uma atitude de terrorismo empresarial em que se agita o medo e o espetro do despedimento coletivo para assustar os trabalhadores da RTP e inquietar o seu público", afirmou à Lusa Camilo Azevedo.

O presidente da RTP, Alberto da Ponte, disse na quarta-feira à estação pública que o grupo terá uma grande "disciplina de custos" no novo programa de reestruturação e admitiu que a empresa "pode estar sobredimensionada" no número de trabalhadores.

Segundo Alberto da Ponte, a existência de mais de dois mil trabalhadores numa empresa "que se pretende enxuta", não é "sustentável no futuro".

Esta posição é questionada pelo porta-voz da comissão de trabalhadores, já que não se conhece o projeto para o futuro da RTP.

"Nós não conhecemos o projeto, não nos são dadas informações, por isso [dizer que a empresa está sobredimensionada] é uma opinião", referiu.

"Esta administração, como a anterior, desde maio do ano passado que não informa a comissão de trabalhadores e, por isso, não é possível à CT exercer o seu direito de participação no processo de reestruturação", lamentou Camilo Azevedo, lembrando que o órgão de representação interpôs uma ação para impugnar a decisão de reestruturar a RTP.

"Em relação à RTP, tanto de rádio como de televisão, nós não aguentamos. Os trabalhadores há um ano que passam de crise em crise e não há trabalho ético e digno neste momento na televisão, que é explicar o que é que se quer, como é que se quer e quando é que se quer. Passamos de um cenário a outro como quem muda de roupa. Não pode ser", afirmou.

Para o responsável dos trabalhadores, a administração da estação pública está a enveredar por caminhos errados, dando o exemplo do endividamento que pretende fazer.

"Durante 10 anos, as receitas de publicidade serviram para pagar o endividamento anterior e, agora que as contas estavam saldadas, vamos endividar-nos novamente e endividar os portugueses?", questionou Camilo Azevedo, referindo-se ao facto de a reestruturação da empresa dever ser paga com emissão de dívida de 42 milhões de euros junto da banca comercial.

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