Coordenador do programa do PSD alega deturpação de factos sobre ajustes diretos

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O diretor do Gabinete de Estudos responsável pelo programa eleitoral do PSD, que é também presidente do Instituto do Território e foi patrão de Passos Coelho, “adjudicou contratos por ajustes diretos com dinheiros públicos a instituições a que esteve ou está ligado no valor de quase 242 mil euros”, avançou o Diário de Notícias. Rogério Gomes diz-se vítima de “deturpação grosseira de um conjunto de factos”.

Rogério Gomes foi o antigo patrão de Pedro Passos Coelho na Urbe (Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção), em 2003 e 2004. Foi a este militante social-democrata que o líder do partido entregou a elaboração do programa eleitoral para as próximas legislativas.

O Diário de Notícias diz que o Instituto do Terrritório (IT) contratou por duas vezes, em setembro de 2012, serviços à associação Urbe, criada por Rogério Gomes. Num montante de quase 145 mil euros. Em ajustes diretos.

“Já em dezembro de 2013, o IT adjudicou à IC – Identidade e Cultura, outra associação fundada por Rogério Gomes e pela sua mulher – com morada na residência dos dois, em Vila Chã, Alenquer-, um serviço por ajuste direto no valor de quase 26 mil euros. Uma empresa de que é sócio-gerente, a AUT, foi também contratada por 71 mil euros, em janeiro de 2013, mas o contrato foi revogado por incumprimento”, lê-se na edição desta quarta-feira do jornal.
“Provável procedimento criminal”
Contactado pelo online da RTP, Rogério Gomes diz que estas declarações “constituem uma deturpação grosseira de um conjunto de factos”: “Nesse sentido, entreguei hoje a advogados esta situação para provável procedimento criminal”.

Entrevista com Rogério Gomes, presidente do Instituto do Território

O presidente do IT não quis responder a mais perguntas sobre esta matéria, adiantando apenas um exemplo daquilo que considera ser deturpação.

“Os jornalistas sabiam que eu abandonei a Urbe quando foi formado o IT. A saída deu-se ou nos dias imediatamente antes à apresentação pública ou imediatamente depois. Apesar disso dizem que há um conjunto de suportes e situações que ocorrem sob minha ligação, entre a Urbe e o IT, quando a minha ligação à Urbe, após essa data, é obviamente importante, desde logo do ponto de vista afetivo mas de facto já nada tem a ver com a administração da Urbe no sentido executivo da palavra”, disse Rogério Gomes.
"IT não se cria com fortunas"
O presidente do IT acrescenta que esta entidade “não se cria com fortunas, com financiamentos”.

“Cria-se à força de pessoas e todavia eu sou apresentado como um flibusteiro que anda a aproveitar dinheiros públicos”, acentuou Rogério Gomes, insistindo em negar ter adjudicado os referidos contratos.

O Instituto do Território foi fundado em Torres Vedras em outubro de 2011 como organização privada sem fins lucrativos. Assumiu o objetivo de dinamizar uma rede de instituições públicas e privadas sobre o território nacional, nas suas mais diversas vertentes.

“Constituído por Rogério Gomes, pela sua mulher, Myriam Romero Cobo, e por Alexandra Campos, contou com a presença do atual primeiro-ministro no ato de apresentação”, sublinha o Diário de Notícias.

“Desde então multiplicaram-se conferências e eventos, a criação de agências especializadas dentro do instituto e foram assinados contratos públicos por ajuste direto (que no caso da prestação de serviços é até 75 mil euros), com o IT a recorrer a empresas da sua rede e a associações em que Rogério Gomes tem um papel central”, refere a notícia.
"Os ajustes diretos"
O jornal adianta ainda que “a Urbe foi selecionada por ajuste direto, a 17 de setembro de 2012, para um contrato de prestação de serviços de conceção, desenvolvimento e produção do programa Áreas Urbanas 2014-2020, por 74.990 euros. Meses antes, o IT tinha recebido a mesma verba de 74.990 euros do Programa Operacional Assistência Técnica do FEDER para uma operação intitulada Programa Áreas Urbanas 14-20, a 26 de junho de 2012”.

O mesmo diário salienta ainda que dias depois, a 26 de setembro, “faz outro contrato de administração e gestão dos sistemas computacionais do instituto, por 70 mil euros”.

“Já lhe tinha dito que não ia responder a muitas perguntas. Fico por aqui. Não tenho mais comentários a fazer. O assunto seguirá na justiça”, rematou o responsável do PSD nas declarações recolhidas pelo online da RTP.

Tópicos:

Contratos públicos, Instituto do Território, Urbe, Rogério Gomes,

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