Depressão afeta um em cada quatro portugueses

| País

O estudo “O que os portugueses pensam da depressão” revela que 96 por cento dos portugueses acredita que a crise fez aumentar os casos da doença em Portugal
|

Vinte e quatro por cento dos portugueses admite já ter sofrido uma depressão e destes 83 por cento já fez tratamento. Segundo estudo “O que os portugueses pensam da depressão”, revelado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, 96 por cento dos inquiridos acredita que a crise fez aumentar os casos da doença em Portugal, sendo os problemas familiares e financeiros apontados como as principais causas da doença.

O estudo, realizado a propósito do Dia Europeu da Depressão que se assinala na próxima segunda-feira e que teve como objetivo analisar a percepção que os portugueses têm sobre a patologia e respetivo tratamento, revela ainda que 59 por cento dos inquiridos reconhece que a depressão é uma doença, o que prova, para os especialistas, que o “estigma em torno deste problema tem diminuído”.

Dos 59 por cento que reconhece a depressão como uma doença, 28 por cento caracteriza-a como uma doença mental, sendo que 30 por cento indica ser uma doença neurológica/nervosa. Já 52 por cento dos inquiridos classifica a depressão como um estado de espírito/ânimo.

Segundo os resultados do estudo, 65 por cento dos portugueses afirma ter conhecimento de uma pessoa próxima que sofreu de depressão.

Enquanto 77 por cento quando questionado sobre o seu comportamento de tivesse uma depressão afirmou que admitia a doença perante familiares e amigos, 15 por cento afirmou que escondia a depressão.

Para procurar apoio, 56 por cento afirma recorrer ao Médico de Família/Clínico Geral, 36 por cento ao Psicólogo e 30 por cento ao Psiquiatra. Neste caso, a família e amigos aparece como fonte de apoio depois dos especialistas, com 28 por cento das escolhas.As causasO estudo “O que os portugueses pensam da depressão” revela que 96 por cento dos portugueses acredita que a crise fez aumentar os casos da doença em Portugal, sendo que os problemas familiares e financeiros são apontados como as principais causas.

Para 55 por cento dos portugueses, a perda de um familiar é considerado o principal motivo para a doença, seguido das dificuldades económicas (21 por cento) e o desemprego (18 por cento). No entanto, 32 por cento dos inquiridos julga que a depressão pode surgir sem causa.

Já os sintomas da doença são amplamente reconhecidos pelos inquiridos, com 53 por cento a caracterizar os doentes que sofrem de depressão como pessoas sem vontade para fazer nada, 45 por cento como tristes, 18 por cento afirma que quem sofre de depressão chora muito e 15 por cento considera que os doentes de depressão se remetem ao isolamento.
Tratamento da doença O acompanhamento por um psicólogo/psicoterapeuta é para 35 por cento dos portugueses a melhor forma de tratar a doença, enquanto 34 por cento prefere os medicamentos antidepressivos, que por 91 por cento dos inquiridos é visto como uma forma muito negativa.

Os portugueses inqueridos no estudo revelam que se tivessem de tomar medicamentos antidepressivos optavam por aqueles que não interferissem na capacidade de trabalho (83 por cento), os mais eficazes (69 por cento), 41 por cento optava por medicação que não alterasse a função sexual e 37 por cento que não engordassem.

Dez por cento dos portugueses destaca a importância do apoio familiar, o convívio, hábitos de vida saudáveis e a prática do exercício físico, como uma forma de tratamento da depressão.
Ficha técnica
O estudo “O que os portugueses pensam da depressão” foi conduzido pela GFK Metris, entre os dias 13 e 28 de agosto de 2012, com a orientação científica da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. Foi considerado como universo indivíduos com mais de 18 anos de idade, residentes em Portugal Continental, em lares com telefone fixo e em lares sem telefone fixo. Foram registadas 1001 entrevistas telefónicas nas áreas do Norte Litoral, Grande Porto, Interior, Centro Litoral, Grande Lisboa, Alentejo e Algarve.
Dia Europeu da DepressãoO Dia Europeu da Depressão é assinalado na próxima segunda-feira, 1 de outubro, com diversas iniciativas que contam com o apoio de várias sociedades científicas e associações de doentes, entre elas um paint mob que vai decorrer simultâneo em Lisboa, Matosinhos, Faro, Évora e Coimbra e que vai poder ser acompanhado em direto no site www.saiadoescuro.pt.

Com o mote “Saia do escuro. A depressão tem tratamento” esta campanha pretende alertar e esclarecer para os diversos tipos de depressão e salientar que a doença tem tratamento.

“Dar cor ao cenário negro da depressão é o mote da iniciativa que vai juntar várias pessoas para colorir um muro onde estarão inscritos alguns sintomas da depressão”, lê-se num comunicado de imprensa da Lilly Portugal que organiza o paint mob.

Tópicos:

Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, crise, doença, Depressão,

A informação mais vista

+ Em Foco

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera, em entrevista à Antena 1, que Portugal tem a vantagem de não ter movimentos populistas organizados.

    Segundo um relatório da Amnistia Internacional, o número de mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal continua elevado.

      Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

        Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.