Dezenas de mortos em incêndio em Pedrógão Grande

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Incêndio em Pedrógão Grande vitimou 61 pessoas
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O primeiro-ministro atualizou, a meio da tarde, o balanço de vítimas mortais para 61. António Costa endereçou sentidas condolências às famílias das vítimas e afirmou que são essenciais mais reforços para a luta contra as chamas. Este é uma das maiores tragédias em Portugal dos últimos 50 anos, provocada por um incêndio. Foram já decretados três dias de luto nacional.

O primeiro-ministro, em Pedrógão Grande, revelou esta tarde as necessidades dos concelhos afetados pelas chamas que lavram desde o sábado à tarde.

Questionado pelos jornalistas, António Costa atualizou o balanço de mortes no incêndio que afeta Pedrógão Grande, revelando que são 61 e não 62 as vítimas mortais da tragédia que afeta a localidade do distrito de Leiria, acrescentando, no entanto, que o número de mortes deverá aumentar nas próximas horas.



A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, revelou que existem 62 feridos, a maioria civis, que foram levados para hospitais de Lisboa, Coimbra e Porto. Há dez bombeiros feridos.

O primeiro-ministro anunciou que existem reforços de meios vindos do estrangeiro e que é essencial a chegada de mais homens para o campo para poder substituir aqueles que se encontram a lutar as chamas desde o sábado à tarde.

António Costa pediu também aos populares que acarretem as ordens das autoridades quando for necessária a evacuação de habitações e aldeias.
Escolas encerradas e exames adiados
O primeiro-ministro dirigiu-se à comunidade escolar para revelar que todos os estabelecimentos de ensino da zona estarão encerrados na próxima semana, pelo que os exames nacionais serão adiados para outra data.

Entre as 61 vítimas mortais, 30 foram encontradas em carros na estrada que leva ao IC8 e outras 17 pessoas foram encontradas na estrada, fora das viaturas ou à beira da via, em informação revelada pelo secretário de Estado da Administração Interna.

Onze pessoas foram encontradas mortas em ambiente rural. Duas vítimas mortais referem-se a um acidente rodoviário.
Maior parte da floresta do concelho queimada
É o que garante Valdemar Nunes, presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, que diz que 95 por cento da floresta do concelho foi queimada e que a nível de infraestruturas Pedrógão está a "zeros".

"Não há uma previsão (da área ardida), mas para mim ardeu tudo. Temos mais de 95 por cento da floresta ardida. O concelho ardeu", afirmou Valdemar Nunes. O autarca falou também da situação das infraestruturas do concelho, revelando que com o calor as máquinas de arrasto destruíram algumas estradas.

Sobre a presença de António Costa em Pedrógão Grande, Valdemar Nunes mostrou-se sensibilizado pela presença do primeiro-ministro, afirmando que se trata da presença e sensibilização de todo o Governo, que está consciente da gravidade da situação.

"O primeiro-ministro veio trazer o apoio do Governo. Não foi só o primeiro-ministro. Foi uma das coisas que me comoveu. O Governo está consciente da gravidade da situação", concluiu.
PJ afasta origem criminosa de incêndio
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) afirmou à agência Lusa que o incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande teve origem numa trovoada seca, afastando qualquer indício de origem criminosa.

Um espetador da RTP registou, na tarde de sábado, imagens da zona de Pedrógão Grande onde é possível ver a trovoada referida.

"A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivammente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio", disse Almeida Rodrigues.

"Conseguimos determinar que a origem do incêndio foi provocada por trovoadas secas", tendo sido a partir daí que o fogo se propagou, explicou o diretor nacional da PJ.

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