Estatísticas Demográficas mostram declínio da população de Portugal

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Maria Filomena Mendes, a presidente da Sociedade Portuguesa de Demografia
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Continua a morrer tanta gente como antes, ou quase, mas nasce cada vez menos gente. Cada vez vêm menos imigrantes para Portugal e cada vez partem mais emigrantes para o estrangeiro. Nestas poucas constatações está a explicação de um “cada vez maior declínio” demográfico, patente nas últimas Estatísticas Demográficas ontem publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A população do país não é uma espécie em vias de extinção, mas tem uma clara tendência para se reduzir.

O saldo entre os movimentos de crescimento e os de decréscimo da população passou a ser negativo a partir de 2007 e tem vindo a agravar-se, como agora se verificou na publicação das Estatísticas Demográficas pelo INE. Segundo esse trabalho, registou-se em 2011 uma diferença de quase seis mil entre o número de óbitos e o de nascimentos (respectivamente 102.848 e 96.856).

Comentando o agravamento desta tendência, a presidente da Sociedade Portuguesa de Demografia (SPD), Maria Filomena Mendes, sublinhou que esse agravamento tem lugar “num curtíssimo espaço de tempo", e que tudo indica venha a verificar-se nos próximos tempos "um cada vez maior declínio".

Segundo citação da agência Lusa, Filomena Mendes afirmou: "Se mantivermos os mesmos níveis de mortalidade e de fecundidade, ou se as mulheres tiverem ainda menos filhos do que já têm e continuarem a adiar, poderemos ter uma situação muito grave em termos do défice de nascimentos face aos óbitos". E acrescentou que “num curtíssimo espaço de tempo, agravámos imenso o nosso saldo natural. Isso significa que temos mais óbitos do que nascimentos e, se os óbitos se vão mantendo com alguma regularidade, o que acontece é que temos cada vez menos nascimentos”.

A demógrafa fez, por outro lado, notar que o agravamento do saldo negativo da população não resulta apenas da diferença entre óbitos e nascimentos, mas de uma diferença entre os movimentos migratórios para dentro e para fora do país – isto porque o país perde a sua "capacidade de atrair imigrantes em idade ativa jovem que casam e têm filhos" e até a capacidade de reter jovens portugueses, que emigram e "vão ter os filhos fora do país".

Segundo Filomena Mendes, a tendência "é efetivamente um cada vez maior declínio", tanto mais que os seus factores têm vindo a acentuar-se: “Estamos, neste momento, com um valor estimado de nascimentos de cerca de 90 mil, portanto, a expetativa é que este ano as coisas ainda piorem, relativamente ao ano anterior, em que tínhamos um valor ligeiramente superior a 100 mil".

Por outro lado, ficou nas declarações daquela especialista um alerta contra um facilitismo excessivo sobre as possibilidades de reverter a tendência: "Em demografia, as medidas tomadas demoram sempre algum tempo a fazer efeito. E a diminuição que fomos tendo na fecundidade, agravada agora pela diminuição da imigração e aumento da emigração, vem a ter repercussões que, muito naturalmente, precisaremos de uma geração para reverter".

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