Estudo alerta para mudanças no mapa vitícola devido a alterações climáticas

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As alterações climáticas podem modificar o mapa vitícola em Portugal, já a partir de 2041, com impactos na produção e na qualidade dos vinhos, revela um estudo hoje divulgado pela Universidade de Vila Real.

A investigação está a ser desenvolvida pelo Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

A eventual transformação das características dos vinhos portugueses, tal como são conhecidos, em menos de 30 anos, é apontada como uma provável consequência das alterações climáticas, caso não sejam tomadas medidas de adaptação.

"O clima português vai ficar muito mais quente. Por exemplo, o clima no Minho vai ficar parecido ao que temos hoje no Douro. No Douro passaremos a ter um clima semelhante ao interior do Alentejo e existe a possibilidade de, no Alentejo, virmos a ter zonas de vinha que, para subsistirem, terão de ser regadas", afirmou o investigador Hélder Fraga.

De acordo com este especialista, "este aumento da temperatura pode fazer com que muitas das regiões portuguesas possam ter condições para uma maturação mais rápida ou deficiente, com consequências na produção e na qualidade do vinho".

Além disso, acrescentou, as projeções apontam para uma tendência de homogeneização do clima a nível nacional.

"O nosso trabalho vai mais no sentido da prevenção de problemas futuros, não constituindo uma fatalidade para o setor", salientou o orientador do estudo, João Santos.

Este responsável acrescentou que o trabalho "deve ser encarado como um instrumento essencial para a sustentabilidade da viticultura".

E há, de acordo com os investigadores, "várias medidas que podem ser tomadas para contrariar os efeitos previstos das alterações climáticas".

Ou seja, segundo Hélder Fraga, "através de práticas culturais, os agricultores podem rever os sistemas de condução (forma como a vinha está disposta, tipo de exposição solar ou sistemas de regas) ou optar pela plantação de uma casta e/ou porta enxerto que se adaptem melhor ao clima da região".

"Mas também as entidades responsáveis, nomeadamente o Ministério da Agricultura, poderão lançar um plano de prevenção à escala nacional", frisou.

De acordo com o investigador, a "única região que poderá vir a beneficiar dos efeitos das alterações climáticas e que poderá mesmo dispensar a adoção de medidas preventivas é o Minho, pois poderá ter condições climáticas favoráveis a uma maior variedade de castas, o que trará vantagens em termos de práticas enológicas".

O estudo "Zonagem Bioclimática de Alta resolução das regiões vinícolas portuguesas: presente e cenários futuros" faz parte da tese de doutoramento de Hélder Fraga e foi selecionado para a revista científica Regional Environmental Change.

Neste trabalho, os investigadores analisaram o clima em todas as regiões de Portugal Continental entre 1950 e 2000. Depois, utilizaram essas bases de dados históricos para calcular os índices bioclimáticos e que permitem averiguar, por exemplo, a secura de uma região ou qual a casta que melhor se adapta ao clima de um território específico.

E, pela primeira vez a nível mundial, o CITAB analisou uma base de dados climáticos do território de apenas um quilómetro quadrado, quando normalmente a área examinada é de 25 quilómetros quadrados.

Esta zonagem permite a obtenção de resultados mais rigorosos.

 

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