Faculdade de Motricidade Humana analisa 30 anos de estudo na educação especial

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Um estudo da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), que analisou a investigação produzida em Portugal nos últimos 30 anos, na área da educação especial, concluiu que a maior parte dos estudos foi realizada por universidades públicas.

A análise foi divulgada hoje, na Conferência Nacional sobre Investigação na Educação Especial, promovida pela FMH, que assinala o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e os 25 anos da Revista de Educação Especial e Reabilitação.

A "Investigação Nacional em Educação Especial" pretendeu fazer uma descrição da produção científica realizada entre 1985 e 2015, na rede do Ensino Superior, englobando estudos de grau de doutoramento e de mestrado nesta área.

O projeto reuniu 613 títulos de investigações e contou com a participação de 18 instituições.

O estudo verificou que "as universidades públicas concentram a maior parte dos estudos em Educação Especial (48.1%)".

A Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, uma das escolas pioneiras na formação e na investigação nesta área, realizou 29.9% das investigações.

O estudo verificou uma predominância de trabalhos desenvolvidos no âmbito dos cursos de Educação Especial (27,9%), a par da investigação especializada no Domínio Cognitivo e Motor (28.7%).

Destaca também a produção científica em cursos de Psicologia (14,5%).

A grande maioria (93.6%) da investigação em Educação Especial é realizada no âmbito de mestrados, refere o estudo, observando que a primeira dissertação nesta área data de 1985 e foi a única nesse ano.

Nos anos seguintes, a investigação nesta área cresceu lentamente, com algumas oscilações, até 2011-2012, altura em que se nota um "aumento brusco na quantidade de dissertações produzidas", atingindo o pico em 2012, com 114 teses, correspondentes a 18,6% do total registado em 30 anos.

Para os autores do estudo, este aumento em 2012 poderá dever-se "à transformação no ensino superior, originada pela implementação do Processo de Bolonha, tendo o número de dissertações descido nos anos subsequentes".

Até ao final de 1995, tinham sido realizados 18% do total de doutoramentos, contra 3% de mestrados. Entre 1996 e 2005, foram registados 23,2% dos doutoramentos e 14,9% dos mestrados.

Esta tendência apenas se inverteu recentemente, com a percentagem de mestrados (81,9%) a superar a de doutoramentos (59%).

Caracterizando a população alvo por tipo de deficiência, dificuldade ou perturbação, evidenciam-se duas categorias principais: Necessidades Educativas Especiais, sobre as quais se debruçaram 30,2% dos estudos, e Dificuldades Intelectuais e Desenvolvimentais (23,8%).

As dificuldades de aprendizagem específicas são abordadas em 11,9% das teses.

Por oposição, a doença crónica, a doença mental e os problemas de desenvolvimento psicomotores foram assinalados numa quantidade residual de trabalhos (igual ou inferior a 0,5%).

Considerando a população-alvo segundo o papel social desempenhado, o estudo verificou que os alunos são o principal objeto de estudo, em 85,8% das dissertações, seguindo-se os professores (41,9%).

Tópicos:

Cognitivo, Educativas, Intelectuais, Motricidade Humana,

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