Investigadores acompanham 1ª geração de recém-nascidos do século XXI

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Investigadores da Faculdade de Medicina do Porto vão acompanhar desde o nascimento "a primeira geração do século XXI" de portugueses, para monitorizar o seu estado de saúde até à idade adulta.

O projecto, cujos autores garantem ser pioneiro em Portugal, abrangerá dez mil recém-nascidos em cinco hospitais da região, 1.500 dos quais serão seguidos regular e intensivamente desde o primeiro trimestre da gravidez.

Henrique Barros, investigador principal do projecto, adiantou que este será desenvolvido por uma equipa multidisciplinar que inclui psiquiatras, psicólogos, obstretas e licenciados em farmácia e nutrição.

Os médicos dos cinco hospitais abrangidos - S. João, Santo António, Maternidade Júlio Dinis, Centro Hospitalar de Gaia e Pedro Hispano - já se reuniram para padronizar comportamentos, dado que cada um deles obedece a regras próprias na recolha de dados sobre os recém- nascidos.

O trabalho permitirá nomeadamente definir pela primeira vez os padrões típicos das crianças portuguesas, de modo a "tornar desprezível" o erro no prognóstico da evolução da criança em causa.

"Um determinado peso à nascença para uma criança pode significar coisas completamente diferentes se ela for caucasiana ou africana, masculina ou feminina, com mãe fumadora ou não. Até a altitude a que nasce influencia", frisou Henrique Barros, para considerar que "as crianças portuguesas devem ser avaliadas de acordo com tabelas elaboradas em Portugal".

O projecto, comparticipado pelo programa comunitário Saúde XXI e pela Administração Regional de Saúde do Norte, "tenderá a nunca terminar, já que quando, dentro de 30 anos, as crianças de hoje forem adultos podem ser substituídas pelos seus filhos".

"O projecto só pára por incompetência nossa. Pode continuar eternamente, de modo a manter actual a caracterização dos recém- nascidos em Portugal", acrescentou.

Os contactos preliminares feitos no último mês junto de vários recém-pais têm registado "uma excelente adesão ao projecto", facto fundamental já que "sem a sua colaboração o projecto não avança".

Os dados de saúde serão recolhidos nas consultas nos próprios hospitais ou através do envio de informações pelos próprios pais, que vão contar com uma linha aberta para esclarecer todas as dúvidas com que se confrontem.

As informações serão recolhidas e tratadas em equipamento informático preparado para o efeito e versarão desde as características fisiológicas e o estado de saúde das crianças até aos seus hábitos alimentares e cuidados infantis.

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