Lobo ibérico continua a ser vitimado pelo abate intencional

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Várias associações ambientalistas portuguesas e espanholas denunciam a morte de mais um lobo ibérico, desta vez no concelho de Vila Nova de Paiva. É um caso que ocorre apenas seis semanas após ter sido encontrada morta no Parque Nacional da Peneda-Gerês uma fêmea que estava a ser seguida com colar GPS. As associações ibéricas exigem o fim da passividade das autoridades, para que se acabe com o "clima de impunidade" que caracteriza estes episódios.

O lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é uma subespécie do lobo-cinzento que povoa a Península Ibérica. Contam-se pelos dois milhares, 300 dos quais com habitat no Norte de Portugal, onde ocupam uma área de 18 000 km².

Em Portugal o lobo ibérico divide-se em duas populações separadas pelo rio Douro.

Uma mais desenvolvida a norte - nos distritos de Viana do castelo, Braga, Bragança, Vila Real e Porto –, onde se contam cerca de 50 alcateias.

A sul do Douro, a população de lobo ibérico está em declínio e poderá vir a extinguir-se no curto prazo: são apenas 10 as alcateias que habitam os distritos de Viseu, Guarda, Aveiro e Castelo Branco.
“O lobo ibérico é uma espécie ameaçada e protegida por lei, cuja proteção é um dever inalienável do Estado Português e cuja perda empobrece toda a sociedade”, afirmam 12 organizações em comunicado, entre as quais as portuguesas Quercus, Liga para a Proteção da Natureza e Grupo Lobo.

As associações subscritoras salientam que não podem “assistir de braços cruzados ao desaparecimento sistemático do nosso último grande carnívoro”, cuja população a sul do Rio Douro se estima em menos de 50 animais e que está sujeita a várias ameaças com origem em ações humanas.

“Desde há um ano, este é já o quinto ato criminoso do género que se tem conhecimento, juntando-se à morte de quatro lobos na população a norte do Douro: três a tiro e um vítima de laço. Destes quatro casos recentes, apenas um resultou em acusação judicial com aplicação de uma multa irrisória, não tendo havido quaisquer acusações ou penalizações legais nos restantes”, lamentam.
Mão humana na morte do lobo ibérico
A 5 de novembro último foi denunciada a morte de um indivíduo da população de lobo ibérico a norte do rio Douro pela bióloga responsável pelo Projecto de Investigação e Conservação do Lobo no Noroeste de Portugal, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio), da Universidade do Porto. A única fêmea reprodutora da sua alcateia estava a ser seguida com colar GPS desde 2012 e foi abatida a tiro no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Esta fêmea “tinha tido crias no final de Maio e foi abatido a tiro no dia 17 de Outubro, um dia de caça”, assinalou na altura Helena Rio Maior, para lamentar mais uma “morte de um lobo-ibérico por causas humanas”.

Relativamente ao lobo morto no concelho de Vila Nova de Paiva, as organizações referem que o cadáver foi encontrado com ferimentos de tiros de caçadeira disparados à queima-roupa, “não deixando dúvidas sobre a intencionalidade do crime. Trata-se de mais um ato de perseguição deliberada, tendo o animal sido abatido e abandonado no local”.

As associações que subscrevem o comunicado deixam ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana e em particular ao Ministério Público o pedido no sentido de que “punam estes crimes contra o nosso património natural”.

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Parque nacional da Peneda-Gerês, Quercus, Lobo ibérico,

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